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Lídia Jorge grata realça a "dimensão e a simbologia enormes" de Prémio Camões

Autora publicou recentemente "O Céu Cairá Sobre Nós", livro que reúne as crónicas que, regularmente, publica no jornal espanhol El País.

02 de julho de 2026 às 20:10

A escritora Lídia Jorge, distinguida esta quinta-feira com o Prémio Camões, afirmou que este "é um prémio muito especial, de uma dimensão e de uma simbologia enormes".

"É o prémio que olha para a literatura portuguesa e para as letras portuguesas, como símbolo daquilo que é a nossa alma entornada pelo mundo, como Camões diz na Canção IX, pelo mundo e pela vida, pelo mundo em pedaços repartida", disse a autora de "Misericórdia" em declarações à agência Lusa.

Recusando qualquer impacto na escrita dos galardões que tem ganhado, a escritora afirmou: "Essa simbologia é tão forte, tão forte, que de facto eu, neste momento, sinto-me comovida e agradecida".

"Não altera nada. Quer dizer, uma coisa são os prémios que dizem que significa que o teu trabalho vale a pena. E isso é uma grande felicidade e ajuda muito e a pessoa fica confiante, naturalmente, mas o essencial é outra coisa, quer dizer, a escrita é uma jubilação interior, não é? É um trabalho interior, solitário no caso da literatura, solitário e, ao mesmo tempo, tão forte, tão grandioso, porque é uma luta com a língua, com a construção de uma história, com uma criação que é uma imitação de uma criação superior, isso não é alterado por nada que tenha a ver com os prémios", declarou.

A autora de "A Costa Dos Murmúrios" participou na semana passada no Festival Literário Babell, no Porto, onde afirmou que se voltasse ao seu discurso do 10 de junho do ano passado, em que disse que em Portugal "ninguém tem sangue puro", "sublinharia mais" e seria "mais explícita".

"Eu sublinharia mais, seria mais explícita [no discurso que fiz nas comemorações do 10 de junho sobre Camões e a atualidade], porque, inclusive, eu aprendi com o que aconteceu naquele 10 de junho [de 2025, em Lagos, no Algarve]. Foi um dia de revelação para mim própria. Fiquei surpreendida, porque eu tenho a certeza que 20 anos antes aquele texto não incomodaria ninguém", declarou a escritora que recebeu, no ano passado, o Prémio Pessoa.

A editora da autora, em comunicado, felicita-a pelo Prémio Camões e afirma que esta distinção "vem confirmar e reforçar o estatuto de Lídia Jorge, que de resto já lhe pertencia, da mais importante e premiada escritora portuguesa da atualidade".

A autora publicou recentemente "O Céu Cairá Sobre Nós", livro que reúne as crónicas que, regularmente, publica no jornal espanhol El País.

Lídia Jorge estreou-se na literatura com a publicação de "O Dia dos Prodígios" (1980), tendo publicado desde então obras nas áreas do romance, conto, ensaio, teatro, crónica e poesia.

Os seus textos têm sido adaptados para teatro, televisão, cinema e, recentemente, o romance "Os Memoráveis" (2014) foi adaptado a ópera.

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