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Lissa Price: "O livro nasce da minha fúria"

A autora norte-americana Lissa Price estreou-se nas letras com 'Destinos Interrompidos', livro que está público em mais de 30 países e que já foi considerado como um digno sucessor de 'Jogos da Fome'.

27 de Maio de 2013 às 01:00
Lissa Price fotograda em Lisboa com o seu livro, 'Destinos Interrompidos'
Lissa Price fotograda em Lisboa com o seu livro, 'Destinos Interrompidos' FOTO: Tiago Sousa Dias

Correio da Manhã - De que trata este ‘Destinos Interrompidos'?

Lissa Price - A história principal decorre num futuro em que adolescentes desesperados que precisam de dinheiro alugam os seus corpos aos seniores, de forma a que estes possam, temporariamente, voltar a ser jovens.

- O que inspirou o livro?

- Estava a tentar comprar uma vacina contra a gripe numa farmácia que tinha um stock limitado. O Governo implementou um sistema de triagem que impunha que apenas os jovens e os idosos tivessem a vacina. Se se tratasse de uma doença mortal, os únicos que sobreviveriam seriam os membros mais vulneráveis da sociedade. Aquilo atingiu-me. Que mundo seria este, se algo assim acontecesse?

- O livro tem uma pitada de ‘Cinderela', ‘Matrix' e ‘Jogos da Fome'.

- Todos eles me inspiraram. O livro nasce da minha fúria, da minha frustração. Quando o escrevi estávamos a atravessar um ponto crítico da recessão nos EUA. O desemprego não parava de aumentar... Peguei nisso e exagerei ainda mais. É a minha forma de reagir, de dizer basta. É uma espécie de conto preventivo. Claro que o principal é que o leitor goste da história, que a sinta, que a viva. Mas, no final, esperamos que capte também a mensagem mais profunda.

- Acredita que caminhamos para um mundo apocalíptico, semelhante àquele que descreve?

- Acho que é uma possibilidade. Repare nas verdades que a minha história contém. As pessoas vivem mais tempo, depois dos 90, e há uma tendência natural para que se aproveitem umas das outras. Mas para já é apenas fantasia.

- Há rumores de que já vendeu os direitos para um filme...

- Tenho um agente cinematográfico e há vários interessados no projeto. Escrevi o guião, e temos um acordo com um produtor, mas ainda nada é oficial.

- Se escolhesse, quem vestiria a pele de Callie, a protagonista?

- A Hailee Steinfeld, que entrou no filme ‘Indomável'. É alguém vulnerável mas ao mesmo tempo forte. Mas duvido que aceitasse, pois está a gravar dois filmes de ficção científica neste momento e os atores por norma não gostam de fazer vários trabalhos seguidos na mesma área.

- Identifica-se com alguma parte da personagem?

- Tal como ela, sou boa em sobrevivência. Como qualquer outra pessoa, tenho desafios, mas não deixo que me deitem abaixo. Há que continuar, aprender com os erros e fazer o melhor que se consegue, pois esta é a nossa vida. Essa filosofia é comum, em mim e na Callie.

- Porque a tornou protagonista desta história, e não outra personagem qualquer?

- Callie tem um irmão mais novo. Protegê-lo dá-lhe a motivação necessária para sobreviver. E, claro, por ser uma rapariga.

- Além de Callie, qual a sua personagem preferida?

- O Velho, o vilão. Porque é fascinante. Nunca se sabe o que fará a seguir, é cheio de surpresas, muito intrigante.

- Porquê a escolha de Los Angeles como cenário?

- Porque vivo lá e conheço a cidade. E porque se houvesse uma empresa de aluguer de corpos jovens a pessoas mais velhas, estaria em Beverly Hills, que é um lugar caro, extravagante e estranho.

- Se pudesse alugar o corpo de alguém por um dia, quem escolhia?

- Oprah Winfrey, porque pode entrevistar quem quiser. Mas também poderia optar pela J. K. Rowling, para ver como seria viver um dos seus dias.

- Qual o maior desafio de escrever este livro?

- Escrever este livro foi fácil. Como se fosse algo encantado. Trabalhei arduamente, durante nove meses. Tinha um grupo de escrita, de crítica, e fui, simplesmente, evoluindo. Tracei um plano e depois ouvi o coração da história, toda a sua verdade, e quanto mais ligações estabelecia mais sentido fazia. Considero que tive muita sorte.

- Quando decidiu que queria ser escritora?

- Já escrevia quando era criança. Mas foi nos últimos seis anos que a coisa se tornou mais séria. Foi nessa altura que percebi que as minhas histórias poderiam ocupar páginas e páginas, de forma a darem origem a uma novela.

- Quem é o seu escritor preferido?

- Não posso nomear apenas um. Neste género de histórias, Suzanne Collins, Scott Westerfeld ou Catherine Fisher, autora de ‘Incarceron', que adorei. Mas há mais: Stephen King, Dean Koontz...

- Que projetos tem planeados?

- O segundo livro da saga, ‘Enders', já foi publicado em vários países europeus. Completa o ciclo iniciado com ‘Destinos Interrompidos' e responde a todas as questões.

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