Barra Cofina

Correio da Manhã

Cultura
1

Livro póstumo contra a guerra

Três amigos de Saramago refletiram sobre a guerra e o tráfico de armas.
Sandra Rodrigues dos Santos 3 de Outubro de 2014 às 19:08
Baltasar Garzón, Sampaio da Nóvoa e Roberto Saviano na apresentação do livro
Baltasar Garzón, Sampaio da Nóvoa e Roberto Saviano na apresentação do livro FOTO: Manuel de Almeida / Lusa

Porque é que nunca houve uma greve numa fábrica de armas?" É desta pergunta que parte José Saramago no seu último livro, ‘Alabardas, Alabardas, Espingardas, Espingardas’, que ontem teve lançamento mundial em Lisboa.

A obra, publicada a título póstumo, "tal e qual" o Prémio Nobel da Literatura a deixou quando morreu, em 18 de junho de 2010, ou seja, inacabada, pretende passar uma mensagem contra a guerra, e foi essa reflexão que a Fundação José Saramago quis fazer na apresentação do livro no Teatro D. Maria II.

O escritor italiano Roberto Saviano, o juiz espanhol Baltasar Garzón e o professor português António Sampaio da Nóvoa, todos amigos de José Saramago, foram chamados a debater ideias sobre a importância dos negócios de armamento e como estes influem nos conflitos atuais, cumprindo a vontade expressa pelo autor, também presente nesta cerimónia através de imagens gravadas.

‘Alabardas, Alabardas, Espingardas, Espingardas’ tem apenas três capítulos e não vai além das 42 páginas, mas Pilar del Rio, a mulher de Saramago, garante que todas as palavras são do escritor e que são as últimas que deixou escritas e que não estavam editadas.

Autor do posfácio, Saviano – que tem a cabeça a prémio pelas denúncias que faz sobre a máfia – destacou que "este livro, acima de tudo, recorda ao leitor que ele tem o poder da escolha".

Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)