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Correio da Manhã

Cultura
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LLOYD COLE ESTÁ DE VOLTA

O ‘cantautor’ escocês Lloyd Cole está de regresso aos discos, com “Music in a Foreign Language”, a editar em Portugal pela Som Livre no próximo dia 9 de Junho. O público açoriano vai ter oportunidade de o ouvir em primeira mão, no concerto que o artista dará na Ilha Terceira, no próximo dia 31.
12 de Maio de 2003 às 17:28
Capa de Music in a Foreign Language (Ed. Som Livre)
Capa de Music in a Foreign Language (Ed. Som Livre) FOTO: Direitos Reservados
Lloyd Cole, artista que vestiu a “pele perfeita” do visionário encantador nos anos 80, regressou às origens na década seguinte, camuflando-se num quase anonimato reservado aos concertos acústicos e ao pensar a música sem interesse comercial. É pois um autor amadurecido, mas não menos encantador, aquele que se apresenta nesta nova edição de originais.
Lloyd Cole teve um percurso singular. Projectado para a fama em 1984, com “Rattlesankes” (eleito pela New Musical Express como um dos 50 melhores álbuns da década de 80), o artista faria apenas mais dois álbuns com os Commotions (“Easy Pieces”, 1985, e “Mainstream”, 1987), banda com quem começou a tocar quando ainda estava na universidade, em Glasgow. Estes três discos, sobretudo o primeiro, criaram o mito e transformaram Loyd Cole num dos nomes mais influentes na cena musical dos anos 80.
Mas a fama não era – e não é – o objectivo deste artista. Depois de passar os últimos anos da década de 80 num frenesim de concertos que, segundo o próprio, nem lhe deram tempo para cortar o cabelo, Lloyd Cole emigrou para Nova Iorque, casou e encetou uma carreira a solo, iniciada com um magnífico álbum homónimo, editado em 1990. Foi o início de uma nova década, que evoluiu num sentido único de amadurecimento artístico. Depois de mais três álbuns à procura de uma identidade à espera de despontar na sua plenitude, Lloyd Cole libertou-se da influência da indústria, ao quebrar o laço com a Mercury (1996) e optar por etiquetas mais singelas, mas mais confortáveis para um artista que está na música apenas pela música.
Sem nunca perder o sentido acústico em que se funda a sua inspiração criativa, um sinal que se manteve desde o primeiro disco, Lloyd Cole fundou em 1997 uma nova banda de apoio, os Negatives, e retomou o fôlego criativo. “The Negatives” (2000), “Plastic Wood” (2001) e “Etc” (2001) são os magníficos testemunhos de da arte de bem cantar e tocar. Lloyd Cole ganhou fascínio pelo palco e passou os últimos cinco anos a tocar pelo mundo, muitas vezes à borla em pequenos clubes, aperfeiçoando o conceito do “concerto folk acústico”, sem qualquer receio de cantar uma certa desolação social, que acompanha o tom da evolução artística (no sempre desejado sentido socio-político da expressão musical) mais do que espelha a nostalgia da meia-idade. “Music in a Foreign Language” é o resultado desses anos de aperfeiçoamento em palco, um disco sincero, uma espécie de marco de carreira, que combina apropriadamente os contributos de Neil Clark (Commotions) e Dave Derby (Negatives), sem esquecer a voz da canadiana Lullaby Baxter, uma antiga DJ em topless que viajou para as sessões de gravação à custa das milhas áreas do cartão-cliente do próprio Lloyd Cole.
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