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Correio da Manhã

Cultura
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Madonna acusada de violar lei que proíbe propaganda homossexual

O deputado da assembleia legislativa de São Petersburgo, Vitali Milonov, acusou esta sexta-feira a cantora norte-americana Madonna de violar uma lei local que proíbe a propaganda da homossexualidade e da pedofilia para públicos menores de idade.
10 de Agosto de 2012 às 14:49
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Madonna, concerto, homossexualidade, pedofilia, pop FOTO: EPA

A estrela 'pop' realizou na quinta-feira um concerto na cidade de São Petersburgo, durante o qual proferiu frases de apoio à comunidade homossexual russa.

"Temos de punir Madonna ou os organizadores [do concerto]", afirmou Milonov, em declarações à agência Interfax.

O deputado referiu que existem gravações de vídeo que comprovam que entre o público que assistiu ao concerto de Madonna estavam "crianças de 12 anos", e como tal a lei devia ser aplicada.

Vitali Milonov foi o autor da polémica lei, que as minorias sexuais russas consideram discriminatória.

Durante a actuação em São Petersburgo, a cidade natal do actual Presidente russo, Vladimir Putin, a cantora fez uma inflamada defesa dos direitos dos homossexuais russos, cujas associações estão proibidas de celebrar marchas de orgulho gay.

"Queremos lutar pelo direito de sermos livres. Tenho viajado muito pelo mundo e vejo que as pessoas estão cada vez mais intolerantes, mas podemos mudar isso. Temos força para isso", disse Madonna.

A cantora, que na terça-feira durante um concerto em Moscovo já tinha suscitado polémica ao pedir abertamente a libertação do grupo 'punk' feminino russo Pussy Riot, julgado por cantar contra Putin numa catedral ortodoxa, assegurou que o "amor" é a única coisa que pode mudar o mundo.

Durante o concerto de São Petersburgo foram distribuídas pulseiras cor-de-rosa, um símbolo do apoio às minorias.

"As pulseiras fazem parte do espectáculo. Estejam preparados para levantar as mãos em sinal de apoio", afirmou a cantora na sua página na Internet horas antes do concerto.

Esta semana, várias organizações russas, algumas ligadas à religião ortodoxa, contestaram a realização dos concertos da estrela norte-americana e convocaram algumas acções de protesto.

Alguns activistas homossexuais russos também apontaram o dedo à artista e criticaram a sua postura.

"Não é suficiente dizer algumas palavras a favor dos homossexuais entre duas canções durante um concerto. Se uma pessoa se assume como defensora dos direitos humanos, ela deve fazer algo mais sério", afirmou, na quinta-feira, um líder local da organização Gay Russia Iouri Gavrikov.

O mesmo representante acusou Madonna de "hipocrisia", uma vez que a cantora optou por actuar na Rússia e em especial em São Petersburgo, cidade que adoptou em Fevereiro passado uma lei "homofóbica".

Na Rússia, a homossexualidade foi considerada crime até 1993 e uma doença mental até 1999.

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