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Correio da Manhã

Cultura
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Madredeus impõem 2007 ano sabático

Os Madredeus vão fazer de 2007 um “ano sabático, mas não vão acabar”. A afirmação é de Pedro Ayres Magalhães, o mentor e fundador do grupo, e foi proferida ontem ao CM, depois de notícias provenientes de Espanha darem como certa a dissolução do grupo em 2007.
17 de Outubro de 2006 às 00:00
Madredeus impõem 2007 ano sabático
Madredeus impõem 2007 ano sabático FOTO: D.R.
“Não é nada isso”, desmentiu Pedro Ayres Magalhães. “O que se passa é que não marcámos concertos lá para o ano”, acrescentou o músico, desmentindo assim a informação espanhola.
A intenção de parar em 2007 foi de resto reforçada em comunicado do próprio Pedro Ayres Magalhães, no qual o “fundador e continuador dos Madredeus” esclarece que a banda reduzirá em 2007 “a sua actividade concertística em todo o Mundo com o intuito de reorganizar a iniciativa do grupo”.
Ao CM o músico revelou, no entanto, que “não está excluída a hipótese de os Madredeus tocarem. Vamos apenas diminuir a intensidade de concertos. Não vamos acabar”.
E acrescentou: “Vamos ter de pensar, de reflectir. Afinal já são mais de 15 anos a dar mais de 100 concertos por ano. Todos os elementos do grupo têm os seus próprios projectos a solo e eu até poderia ir por aí. Poderia, mas não vou. Eu componho para os Madredeus e depois agendar e programar concertos em 40 países não é pêra doce.”
O abrandamento do número de concertos em 2007 não significa, segundo Pedro Ayres Magalhães, “a interrupção da obra pública dos Madredeus”. No comunicado, o músico afirma mesmo que o grupo se prepara para continuar, “de forma independente, a divulgação do seu repertório passado e futuro”. Uma declaração que deixa antever o final da relação com a editora do grupo (a EMI-VC) de há muitos anos a esta parte.
Contactado pelo CM, David Ferreira, administrador da editora, escusou-se a “comentar relações contratuais”, mas fez questão de sublinhar a “excelente colaboração de muitos anos” entre a empresa e o grupo, acrescentando que acha “inevitável de uma forma ou de outra” futuras relações entre as duas instituições.
PERFIL
Os Madredeus devem a sua criação a Pedro Ayres Magalhães (violão), que em 1985 fundou o grupo com Rodrigo Leão (teclados), Francisco Ribeiro (violoncelo), Gabriel Gomes (acordeão) e Teresa Salgueiro (voz), esta ‘descoberta’ numa casa de fados de Lisboa. O fado de resto foi o ponto de partida para o repertório dos Madredeus, que logo abraçou também a música tradicional portuguesa, a música erudita e a popular contemporânea, sem esquecer a música popular do Brasil.
O primeiro disco (‘Os Dias da Madredeus’) saiu em ‘87 e desde então o grupo tornou-se no mais popular e influente grupo português aquém e além-fronteiras. Em ‘95 foram a banda sonora do filme ‘Lisbon Story’ de Wim Wenders. Lançaram 14 discos e já tocaram em quase todo o Mundo.
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