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Correio da Manhã

Cultura
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Magia de Stravinsky

Não há director de companhia de dança e mesmo coreógrafo que, a determinada altura da carreira, não aposte em danças sobre a famosa partitura de Stravinsky (1882-1971) ‘Sagração da Primavera’.
19 de Março de 2005 às 00:00
Tal aconteceu quarta-feira no Ballet Gulbenkian (BG), com um trabalho de Marie Chouinard. A obra da coreógrafa canadiana é muito apelativa não só devido a uma desusada estrutura – que se afasta radicalmente da ideia original do ‘sacrifício’ de uma ‘eleita’ para celebrar a ‘energia da estação da vida’ –, mas também à interpretação do belíssimo elenco do BG.
Nela sobressaem solos particularmente excitantes de Ann De Vos e Nelson Smith que, juntamente com outros 14 artistas, captaram toda a magia de um bailado em que corpos iluminados, frenéticos e explosivos nunca são abandonados à mercê de uma partitura musical de contornos antropófagos.
Em ‘Espírito Orgânico, Batida Orgânica e Cage Orgânico’, estreia absoluta de Paulo Ribeiro, pelo contrário, uma visível falta de vocabulário enfraqueceu uma obra-homenagem a John Cage (1912-1992).
Apostando numa massa de cerca de 30 artistas em cena e recorrendo à improvisação, às danças sociais, à corrida, a acções como rebolar no chão, esbracejar e espernear, Ribeiro fez os bailarinos (desnudados) cumprir uma receita pouco convincente, tendo por cenário sombras e projecções dos mesmos, em tempo real, e deixando para o grupo de percussão Drumming o melhor da festa.
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