Adolfo Luxúria Canibal recorda ‘Mutantes S.21’, disco que celebra 25 anos e que foi uma tábua de salvação para o grupo
Foi o disco do tudo ou nada. 'Mutantes S.21', um dos mais icónicos álbuns da história da música moderna portuguesa, foi lançado há precisamente 25 anos, numa altura em que os Mão Morta atravessavam uma das fases mais criticas da sua carreira. "Se nada tivesse acontecido, a banda teria morrido ali", lembra Adolfo Luxúria Canibal. O grupo andou este ano na estrada a recordar outros tempos e a revisitar memórias que não se apagam. Depois de terem passado pela Culturgest, em Lisboa, os Mãos Morta tocam dia 9 de Dezembro, no Cineteatro António Lamoso em Santa Maria da Feira.
Como é que tem decorrido esta digressão dos 25 anos de ‘Mutantes S.21’?
Este foi um ano ‘sui generis’, uma vez que estivemos na estrada com três espetáculos diferentes (risos). Estivemos com o nosso espetáculo habitual, assente no nosso repertório, com este espetáculo dos 25 anos do ‘Mutantes S.21’ e com o ‘Remix Ensemble’ com orquestra.
E sente que houve interesse especial por este concerto dos ‘Mutantes S.21’?
Sim. A nossa agência insistiu muito connosco para irmos para a estrada precisamente porque havia muitos pedidos. E nós não só aceitámos como decidimos complicar as coisas.
Como assim?
Optámos por montar um espetáculo tecnicamente muito fechado. Aliás, houve alguns sítios de que tivemos que desistir, porque não nos ofereciam as condições técnicas que precisávamos. O que fizemos foi pedir a 15 ilustradores nacionais que fizessem uma ilustração de cada um dos temas, sendo que todas essas ilustrações são manipuladas ao vivo e projetadas no decorrer do espetáculo.
Que tipo de público tem aparecido nestes espetáculos?
Temos visto de tudo, até porque levámos este espetáculo a alguns festivais, nomeadamente ao Bons Sons e ao Paredes de Coura.
É verdade que tiveram crianças a ouvir-vos no Bons Sons?
Eu não dei conta, mas disseram-me que sim. Mas no Paredes de Coura, por exemplo, vi muitos miúdos de 16/18 anos que vinham ter comigo a dizerem-me que tinham visto Mão Morta pela primeira vez, que tinham adorado e que me perguntavam onde poderiam comprar o disco porque não o conseguiam encontrar. Ou seja, há uma nova geração a descobrir Mão Morta.
E esse é o maior elogio que vos podem fazer!
Sim. Isso deixa-nos muito contentes. Uma das coisas que me irrita solenemente é pensar que os Mão Morta são apenas a nossa geração. Aparentemente, as coisas perduram. Claro que não somos uma banda de grande público porque nunca o fomos. Sempre tivemos franjas geracionais, mas é bom manter essa característica.
Como é o que o Adolfo Luxúria Canibal lida com esta coisas das efemérides e em particular com estes 25 anos? Sente-se orgulhoso, nostálgico ou simplesmente velho?
(risos). Devo confessar que estas coisas passam-me ao lado. Em termos musicais, eu ando tão interessado em descobrir coisas novas que não dou atenção a estas efemérides. Estes 25 anos do ‘Mutantes S.21’ até nos foram lembrados por um festival em Guimarães que nos convidou para tocar lá.
Tem aquela ideia de que parece que foi ontem que gravou aquele disco?
Sim, é isso mesmo. Claro que os 25 anos estão lá, mas temos tudo ainda muito vivo na memória.
E qual é a primeira lembrança?
A primeira coisa de que me lembro é que aquele era um disco que queríamos muito fazer. Estávamos numa fase muito má, os dois discos anteriores tinham corrido mal, nós andávamos desanimados, estávamos num período de grandes interrogações e tínhamos a sensação de que as pessoas já não queriam saber de nós.
Sentiu que a banda podia acabar!
Sim, sim. Se nada tivesse acontecido, a banda teria morrido ali quando mais não fosse por inércia. Só que nós há muito tempo que tínhamos aquele disco na cabeça e as letras já eu as tinha começado a escrever. Era um conceito que já andava nas nossas mentes, fazer um disco que envolvesse esta questão da ‘trip’ por várias cidades, que apanhasse o seu lado mais obscuro e que espelhasse a sua alma. E foi cheios de entusiasmo que apresentámos o projeto ao nosso manager.
Mas depois de dois discos que não tinham resultado não vos torceram o nariz?
Não, o nosso manager aceitou logo, disse- -nos que ia procurar o melhor estúdio, o melhor técnico e fazer uma coisa a sério. E foi assim que fomos para o Angel com o José Fortes, que acabou por ser o encontro das nossas vidas. Foi ele que nos despertou o interesse pelo estúdio, algo que até então era um verdadeiro bicho para nós. O ‘Mutantes S.21’ acho que foi o primeiro disco em que chegámos ao fim e dissemos uns para os outros que era mesmo aquilo que queríamos. Da capa à sonoridade, tudo correu às mil maravilhas. E depois acabou por funcionar muito bem. Se não tivesse resultado, tínhamos acabado.
Foi o disco do tudo ou nada?
Sim, mas na verdade nós já não tínhamos nada a perder. Perdidos já andávamos nós (risos). Eu acho que todos estávamos convencidos que aquele era o último disco que fazíamos. Ninguém via grande futuro. Só para se ter uma ideia, no ano anterior ao lançamento do ‘Mutantes S.21’, tínhamos dado apenas um concerto. E quando isso acontece é a morte certa.
Esse disco acabaria por trazer o maior sucesso da vossa carreira, ‘Budapeste’. Como é que lidaram com esse ‘mega hit’ repentino que vos fez sair desse estado moribundo?
Nós soubemos pôr os travões (risos). Acho que tivemos uma espécie de lampejo de consciência. Percebemos que se não morrêssemos por inércia, podíamos morrer por excesso de holofotes. E depois nós não queríamos de repente ficar colados a um único tema. Tanto assim foi que andámos a tocar o ‘Budapeste’ enquanto foi inevitável e depois largámo-lo. Tivemos vários anos sem o tocar.
E as pessoas perceberam isso?
(risos). Acho que não. Eu sentia que havia pessoas que saíam desesperadas dos concertos dos Mão Morta porque não ouviam o ‘Budapeste’.
Falamos de 25 anos de ‘Mutantes S.21’, mas já são 33 de Mão Morta. O grupo está hoje onde merece estar?
Eu não sei muito bem o que responder a isso, mas eu estou muito satisfeito com tudo aquilo que conseguimos.
Isso porque não tinha grande expectativas?
Não, claro que não. Nós só começámos os Mão Morta para ir passar umas férias a Berlim. Nós só queríamos fazer um concerto que desse para pagar a viagem. Por isso tudo o que veio depois foi bónus
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