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Correio da Manhã

Cultura
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MAR DE CHAMAS

Um verdadeiro mar de chamas, do qual todos saíram ilesos, mas não indiferentes. Assim foi a passagem dos germânicos Rammstein pelo Pavilhão Atlântico, terça-feira, num concerto pontuado por um intenso aparato visual e cénico, como Lisboa raramente viu.
11 de Novembro de 2004 às 00:00
No recinto, esgotado, os ‘longos’ minutos em que a música dos Sigur Rós serviu de prelúdio à entrada da banda em palco, foram vividos ‘nervosamente’ pelos fãs. Não é de estranhar, por isso, que os primeiros acordes de ‘Reise, Reise’ fossem o quanto baste para acender um rastilho de ânimos inflamados, que apenas se extinguiriam no final do concerto.
Se, por um lado, a causa ‘mor’ dos Rammstein são as canções abrasivas, alicerçadas na pura escola do metal industrial alemão e debitadas a ferro e fogo, por outro, é o ‘show’ visual que torna cada actuação do grupo um momento único... e impróprio para cardíacos.
Temas como ‘Links 2,3,4’, ‘Feuer Frei’, ‘Morgenstern’, ‘Du Riechst’ ou ‘Sonne’ foram servidos com intensas explosões pirotécnicas, guitarras e microfones em chamas e brilhantes jogos de luz e cor. Tudo controlado por uma equipa especializada em manipulação de fogo, o que explica porque é que em dez anos de carreira nunca se tenha verificado um acidente. Ainda assim, respirar de alívio, só no final!
Na quinta visita a palcos lusos, os Rammstein trouxeram um palco gigantesco, com plataformas elevatórias, e novos quadros teatrais, como o que ilustrou ‘Mein Teil’. O tema, inspirado no caso de um homem que se voluntariou para ser comido por um canibal, foi servido com um caldeirão em chamas, onde o teclista foi ‘sacrificado’ pelo vocalista, de faca em punho.
Em Lisboa, os Rammstein revelaram-se mais musicais e melódicos que o habitual, recorrendo a instrumentos como o acordeão, harmónica e guitarras acústicas (‘Los’) e acrescentando a temas como ‘Morgenstern’ ou ‘Moskau’ arranjos mais épicos. Estes, juntamente com ‘Du Hast’, ‘Amerika’ (puro glamour, com explosões de confetti) e ‘Rammstein’ foram os hinos da noite.
Em jeito de ‘rescaldo’, fica a constatação de que os Rammstein atingiram um patamar de qualidade raro no panorama rock europeu, capaz de ombrear com as propostas norte-americanas do género, sem abdicarem dos seus próprios valores estéticos.
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