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Correio da Manhã

Cultura
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MARAVILHOSA VIAGEM

Para quem já viu a grande cantora e comunicadora Ute Lemper, ao vivo, em duas ocasiões, não pode deixar de notar o quão diferente está o seu espectáculo.
21 de Julho de 2004 às 00:00
Segunda-feira à noite, no Grande Auditório do Centro Cultural de Belém (CCB), em Lisboa, em ‘But One Day’, Lemper viajou no espaço e no tempo, saindo e voltando de Berlim, num espectáculo que ela própria chamou de ‘Cabaret Político’.
ESTÉTICA
Canções suas, temas tradicionais húngaros e russos (’Hungarian Song’ e ‘Boxer Boy’), canções de Brel (’Amsterdam’), de Brecht e Weill, ‘Buenos Aires’, de Piazzola, e música árabe e israelita: tudo foi reinventado na voz sensual da artista.
No entanto, a maior surpresa foi a forma como cantou a dramática ‘Stange Fruit’, de Billie Holiday e Lewis Allan, conseguindo encontrar e transmitir toda a veia da negritude nela contida.
A viagem passou pela música francesa com ‘Pigalle’, interpretada de forma perfeita; pela Broadway com ‘Jenny’s Song’, de Kurt Weill; andou novamente por Paris com ‘La Vie En Rose’ e desaguou em apoteose em ‘Mack The Knife’, da ‘Ópera dos Três Vinténs’.
Como sempre, a preparação de bailado de Lemper dá ao seu movimento em palco uma estética impressionante de beleza corporal. Ainda por cima, o fato que envergava foi, segundo a própria anunciou, adquirido na loja de Fátima Lopes, a quem elogiou como grande estilista.
O público que enchia por completo a sala do CCB reconheceu o esforço da artista para atingir o impressionante nível do espectáculo, aplaudindo, sempre de forma entusiástica, que a fez voltar para o inevitável ‘encore’.
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