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Maria Keil de volta ao metro em 2009

Maria Keil, 94 anos feitos este mês, ficou conhecida como ‘a menina dos azulejos’. Pioneira na Arte no Metro, reage à destruição parcial da sua obra em nome do melhoramento da rede com uma serenidade que diz ser o seu maior e melhor trabalho. "Não havia noção nem intenção de destruir, o que havia era ignorância, mas só aconteceu nos Restauradores", recorda.

21 de agosto de 2008 às 00:30

São estações da exclusiva intervenção de Maria Keil: Praça de Espanha, Intendente, Areeiro, Arroios e S. Sebastião. Nesta última há inéditos em armazém que só esperam a conclusão da Linha Vermelha para ocupar o seu lugar de direito, já em 2009, pelos 50 anos do Metropolitano.

'Era um material barato que resolvia o problema do meu marido, Francisco Keil, arquitecto do metro, que não se conformava com tanto cimento cru. A opção pelo azulejo de padrão vem daí e não da proibição do figurativo. O que faltava em dinheiro sobrava em boa vontade e ninguém devia nada a ninguém', conta.

‘Era assim que se usava’ é expressão recorrente para explicar um tempo de que não guarda saudade. Hiperactiva e multifacetada, inquirida sobre o seu maior feito, desarma: 'Respeitar quem se dá ao respeito. E eu tenho por mim um profundo respeito, o que não exclui a humildade, coisa que se aprende com a vida e que não é fácil, mas que vale a pena.'

'ACABARAM?'

Sobre o trabalho de 1958 na estação dos Restauradores, o único que não foi possível poupar segundo fonte do Metropolitano de Lisboa, Maria Keil recorda um episódio caricato no dia da inauguração... ' Estava lá o senhor doutor António de Oliveira Salazar, no cumprimento das suas funções, quando, vendo ali dois azulejos totalmente diferentes dos demais, comentou: ‘Tinham-se acabado os outros, não?!'

PERFIL

Maria Keil, 94 anos, trocou Silves por Lisboa para estudar Desenho na ESBAL, de onde saiu casada com Francisco Keil, neto do autor do Hino Nacional. Pintora e desenhadora, ilustradora e decoradora, ceramista e cenógrafa, figurinista e fotógrafa vive há três anos num lar de artistas mas mantém casa própria para onde escapa, todas as quartas-feiras, atrás de luz.

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