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Correio da Manhã

Cultura

Maria Teresa Horta: Prémio D. Dinis acabou

O Governo acabou com o prémio D. Dinis (7500 euros), da Casa de Mateus, que a escritora se recusou a receber das mãos de Passos Coelho. O presidente da Fundação Casa de Mateus afirmou esta quarta-feira que o apoio público à instituição, que o Governo pretende cortar, se destinava apenas àquele prémio literário.
26 de Setembro de 2012 às 01:30
Cultura, cortes às fundações, Prémio Literário D. Dinis, Maria Teresa Horta
Cultura, cortes às fundações, Prémio Literário D. Dinis, Maria Teresa Horta FOTO: DR

O responsável reagia assim à decisão do Governo de cessar todo o apoio financeiro público à Fundação da Casa de Mateus, que obteve a maior pontuação do relatório governamental, designadamente 78,1 pontos.

Para o presidente da fundação, o fim deste financiamento público significa que o Governo "não quer apoiar mais o Prémio D. Dinis".

"Deixando de haver este apoio temos de refletir se temos possibilidade de manter o prémio, ou não", salientou Fernando Albuquerque.

O prémio literário D. Dinis foi instituído em 1980 e tem sido atribuído anualmente a uma obra de poesia, ensaio ou ficção, publicada de preferência no ano anterior.

Este ano o galardão foi atribuído pelo júri, formado por Vasco Graça Moura, Nuno Júdice e Fernando Pinto do Amaral, a Maria Teresa Horta pelo livro "As luzes de Leonor. A marquesa de Alorna, uma sedutora de anjos, poetas e heróis".

A escritora recusou receber o prémio das mãos do primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, que tinha sido convidado pela Fundação Casa de Mateus para presidir à cerimónia.

Para não alimentar polémicas, a instituição decidiu cancelar a cerimónia, que chegou a estar agendada para este mês.

O prémio D. Dinis é patrocinado pela Direcção-Geral do Livro e das Bibliotecas e pela Caixa Geral de Depósitos.

No ano passado o galardão foi atribuído a João Barrento e a cerimónia foi presidida pelo Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva. Também já receberem este prémio escritores como Manuel Alegre, José Saramago, Sophia de Mello Breyner Andersen ou António Lobo Antunes.

"Este prémio tem 31 anos, sempre foi apoiado e metia-me muita impressão que acabasse, até porque se tornou num dos prémios literários mais importantes em Portugal", afirmou Fernando Albuquerque.

O presidente referiu que a fundação não diminuirá a sua atividade normal sem o apoio do Estado e acrescentou que o Governo justificou o fim do financiamento com o argumento de que considera que a Casa de Mateus não precisa desse apoio.

"Esperemos que contribua para salvar o País", salientou.

Esta instituição privada, com sede em Vila Real, foi criada em 1970 e trabalha nas áreas das artes e cultura, ciência e preservação histórica.

A conservação do palácio, classificado como monumento nacional em 1911, é um dos principais objectivos da fundação.

No ano passado, o palácio e os jardins receberam cerca de 75.000 visitantes, 81 por cento dos quais estrangeiros, provenientes de França, Inglaterra, Alemanha, Brasil ou Espanha.

A Fundação da casa de Mateus possui ainda receitas próprias provenientes da bilheteira, do posto de venda ou da actividade agrícola.

"Isto quer dizer que não querem prémios literários e se mantiverem outros prémios literários que há por aí, então considero que é uma agressão a nós. Até agora não sei. Espero que não seja", afirmou à agência Lusa o presidente da fundação, Fernando Albuquerque.

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