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Correio da Manhã

Cultura
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MARÍLIA PÊRA DESLUMBRA LISBOA

Junte-se uma estrela de primeira grandeza - a mais versátil actriz de língua portuguesa, no palco e no celulóide, que já ganhou a vida a dançar e hoje canta e encanta - a um compositor que nos deu obras tão significativas como "Aguarela do Brasil" (que, para muitos, é uma espécie de hino nacional brasileiro) e temos um espectáculo para não esquecer!
24 de Setembro de 2003 às 00:00
Marília fez seguramente transbordar  a alma  e o coração  de todos quantos tiveram  o privilégio  de ouvir as canções  de Ary Barroso
Marília fez seguramente transbordar a alma e o coração de todos quantos tiveram o privilégio de ouvir as canções de Ary Barroso FOTO: d.r.
Marília Pêra veio, finalmente, a Lisboa (duas noites no Centro Cultural de Belém) cantar Ary Barroso a dias de se completar 100 anos sobre a data do nascimento do compositor. Que bela e justa homenagem ao indivíduo versátil e músico boémio desaparecido em 1964, que teve na luso-brasileira Carmen Miranda uma das intérpretes de eleição.
ILUMINAR CADA NOTA
Depois do fantástico 'show' "Elas Por Ela" - em que a cantora-actriz revisitava, através das canções populares no feminino, a História do Brasil - e de encarnar Callas e Miranda no palco, nada mais natural do que agarrar em temas sobejamente conhecidos e vesti-los, mais do que com novos arranjos, com interpretações sábias em que cada palavra surge com uma sonoridade particular e cada som embalado por gestos que vibram em cada respiração.
Marília ilumina cada nota com uma criatividade ímpar não deixando de valorizar tanto os silêncios como as palavras brejeiras ou melancólicas das inspiradas e brasileiríssimas letras de Ary.
Apenas com uma pianista, uma violoncelista (portuguesa) e uma percussionista em cena, impecáveis na sobriedade, o espectáculo revê-se no colorido do ciclorama, mas, sobretudo, nas ondulações de braços, na ginga das ancas e num vestido coberto de folhos e cintilantes pedras preciosas.
Marília poderá não ter enchido o CCB mas, seguramente, fez transbordar a alma e o coração de todos quantos tiveram o privilégio de ouvir sambinha malandro ou canção de "dor de cotovelo" que o génio de Barroso imortalizou para todo o sempre.
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