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Correio da Manhã

Cultura
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Mariza em filme chinês

Berlim assistiu ontem, finalmente, a dois filmes interessantes na secção competitiva. De um lado, ‘Isabele’, do cineasta de Hong Kong, Pang Ho-Cheung, que versa sobre os últimos meses da administração portuguesa no território de Macau, do outro, a comédia subtil de Claude Chabrol, ‘L’Ivresse du Pouvoir’, com Isabelle Hupert, no papel de juíza que pesa na mesma balança um caso de corrupção e as repercussões na sua vida familiar.
17 de Fevereiro de 2006 às 00:00
Mariza canta ‘Ó Gente da Minha Terra’ num filme sobre Macau
Mariza canta ‘Ó Gente da Minha Terra’ num filme sobre Macau FOTO: Manuel Moreira
O destaque vai, naturalmente, para ‘Isabele’, filme que traduz a crescente importância e peso da cinematografia chinesa e no qual a fadista Mariza participa (apenas vocalmente) interpretando um fado, ‘Ó Gente da Minha Terra’.
A história começa no Verão de 1999, em Macau, na iminência da entrega da administração do território à China, acontecimento que se consumaria a 20 de Dezembro.
No mapa urbano da bela cidade, seguimos Shing, um agente da polícia que enfrenta um processo de suspensão. Durante uma das suas noites de boémia, acaba por envolver-se com a bela ‘Yan’, uma jovem que vem a saber tratar-se da sua própria filha, fruto de uma relação de sua adolescência.
SENTIMENTO DE NOSTALGIA
Depois de ser despejada da casa que habitava, ‘Yan’ acaba por ser acolhida pelo pai que a ajuda a procurar ‘Isabella’, o cachorro que recebera o nome da mãe depois dela morrer de cancro. Gradualmente, desenvolve-se então entre ambos uma verdadeira relação de cumplicidade, à medida que ambos vagueiam numa cidade onde são bem visíveis as marcas da arquitectura, da gastronomia e da cultura portuguesas.
Trata-se, no fundo, de um filme bonito e despretensioso de que ressalta um sentimento de nostalgia em relação à presença portuguesa no território. Daí, por certo, a escolha do fado ‘Ó Gente da Minha Terra’ cantado por Mariza para fechar o filme.
RECEITAS PARA RELAXAR
Começa a ser vulgar ver jornalistas a aproveitar os sofás do espaço Hot Spot (a sala de Imprensa com computadores ‘wireless’) para fazerem sestas e assim recuperar energias. Por falar em energia, nas sessões da tarde e noite os espectadores fazem-se acompanhar de garrafas de cerveja de meio litro. Pela manhã, ao contrário, difícil é mesmo resistir aos sabores variados de água fornecida por um dos patrocinadores do Festival.
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