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Cultura
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Matthias Schoenaerts: “A Marion estava preparada para se entregar”

Foi em Cannes que entrevistámos este belga no papel de um brutamontes truculento que vive com Marion Cotillard o mais improvável romance. Um físico que nos fez recordar o impressionante ‘Bullhead’, em que encarna um belga viciado em hormonas de testosterona.

17 de Março de 2013 às 18:05
Mathias Shoenaerts fotografado com Marion Cotillard: os dois contracenam em 'Ferrugem e Osso'
Mathias Shoenaerts fotografado com Marion Cotillard: os dois contracenam em 'Ferrugem e Osso' FOTO: D.R.

Correio da Manhã - Matthias, está muito mais magro. Pelo menos não com o corpanzil que vemos no filme... Foi difícil perder essa imensa massa muscular?

Matthias Schoenaerts - Sim, por acaso já tinha ganho essa massa muscular para um outro filme.

Sim. O ‘Bullhead’.

Isso. Depois perdi-a e tive agora de a voltar a ganhar. Mas estou contente por voltar ao normal.

Dito assim até parece que é fácil ganhar esse corpo impressionante. É mesmo?

Se é fácil? Dá muito trabalho. Mas não considero que seja difícil. Não é um sacrifício. Se estamos apaixonados por um papel, ou uma mulher, estamos preparados para tudo.

Ainda que neste filme esteja diferente do que em ‘Bullhead’...

Em ‘Bullhead’ o meu corpo tinha de parecer artificial, devido às hormonas que a personagem tomava. Neste caso, queríamos alguém que fosse poderoso, mas que por uma força natural e não por um treino de musculação intensivo. Ao mesmo tempo, alguém que não se sentisse bem dentro de si própria porque não tinha educação.

Acha que essas duas personagens têm algo em comum?

É engraçado, depois de ver este filme acho que não têm assim tanto em comum. É claro que há o lado físico. São ambas personagens que se expressam pelo corpo, mas têm uma vida e energia diferentes. O Jackie (de ‘Bullhead’) tem consciência da sua vida e do seu drama, ao passo que Ali (‘Ferrugem e Osso’) não pensa na vida. Aceita as coisas como são. Mesmo ao nível sensual, o Jackie é desprovido de sexualidade, enquanto Ali tem uma vida bastante ativa e direta. Existem algumas semelhanças, mas as diferenças são mais acentuadas.



O seu combate é ‘street fight’ ou MMA (mixed martial arts)?

Sim, naqueles combates de rua em que tudo é permitido. Ou seja sem proteção.

Sentiu que a sua imagem de masculinidade se alterou à medida que o seu corpo cresceu?

Deixe-me pensar... Talvez, de alguma maneira. Pelo menos, a percepção das pessoas. Sem dúvida. E talvez por isso mude também a minha. Pergunta interessante. Nunca tinha pensado que isso pudesse afetar a minha masculinidade.

Como foi trabalhar com a Marion? Sentiu-se intimidado com a presença dela?

Intimidado, não. Percebemos na primeira leitura que tudo era muito generoso. E quando começamos a filmar a Marion estava preparada para se entregar. Isso fez-me estar mais confortável.

Qual diria que foi para si o maior desafio, as cenas mais sensuais com a Marion ou as lutas de rua?

Nunca penso nas coisas por serem fáceis ou complicadas. Acabam por ter uma intensidade semelhante. De um lado, uma intensidade mais ternurenta, do outro, mais viril e brutal. Mas sempre intenso. Tem a ver com a paixão e a intensidade.

No caso das cenas de sexo, em que a sua personagem assumia o ato sexual sem emoção, isso tornava a cena mais fácil ou mais desconfortável?

Pode parecer estranho, mas nessa altura eu sou o ‘Ali’. Portanto, ele sente o que sente. É algo em que não consigo ser objetivo.

Cultura Cinema 'Ferrugem e Osso' Marion Cotillard Mathias Shoenaerts
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