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Correio da Manhã

Cultura
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Miguel Guilherme com uma valente bebedeira

O ano de 2010 foi feliz na vida profissional de Miguel Guilherme. Foi o ano em que fez sobretudo teatro – uma peça naturalista (‘Blackbird’, no Teatro Nacional D. Maria II) e a tragicomédia ‘O Senhor Puntila e o seu Criado Matti’, peça de Bertolt Brecht, que João Lourenço acaba de estrear no Teatro Aberto.
18 de Outubro de 2010 às 00:30
Miguel Guilherme é o protagonista desta peça em que Brecht expõe a alma humana nas suas contradicções
Miguel Guilherme é o protagonista desta peça em que Brecht expõe a alma humana nas suas contradicções FOTO: Andre Kosters/Lusa

Aqui, o actor dá corpo a uma personagem desequilibrada: ‘Puntila' é um latifundiário que oscila entre a embriaguez e a sobriedade. Quando está bêbedo é generoso e casadoiro; sóbrio é duro e calculista. Miguel Guilherme acha que a personagem é bipolar.

"Gosto muito de interpretar personagens tragicómicas, porque acho que a vida é assim mesmo, e o ‘Puntila' parece-me um bipolar, a quem o álcool acelera as mudanças de personalidade", explica. Diz ainda que a maior dificuldade em construir a personagem foi fazer um bêbedo sem cair no cliché.

"Nem tentei aproximar-me dele através da bebedeira", diz. "Tentei construir uma personagem que tem diferentes níveis de energia - foi isso que me levou ao ‘Puntila'."

‘O Senhor Puntila' é o 11º texto de Bertolt Brecht que João Lourenço leva à cena e o encenador diz que convidar Miguel Guilherme para protagonista (ao lado de Sérgio Praia, como o criado ‘Matti') lhe pareceu óbvio. "O Miguel [Guilherme] está numa fase excelente da sua carreira e está com a idade certa para lhe serem dados certos papéis. Achei que merecia fazer um Brecht", afirma.

Em cena, estão ainda Sofia de Portugal, Mafalda Luís de Castro e Rui Morisson, entre outros.

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