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Correio da Manhã

Cultura
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MILHARES 'EDUCAM' O OUVIDO

A maior “maratona” de música clássica realizada no nosso país, a Festa da Música, arrancou ontem no Centro Cultural de Belém. Milhares de pessoas aderiram à iniciativa, protagonizando uma das maiores enchentes de sempre naquele espaço da capital.
26 de Abril de 2003 às 00:00
Até ao encerramento da 4.ª edição da Festa da Música, amanhã à noite, o CCB apresentará mais de uma centena de concertos, estimando-se uma mobilização de 20 mil espectadores, segundo informou fonte da organização. O destaque na programação deste ano é a obra dos compositores Claudio Monteverdi e Antonio Vivaldi.
O objectivo da festa é simples e louvável. A preços acessíveis (um bilhete custa entre quatro e oito euros), o CCB pretende dar a conhecer ao público que habitualmente não frequenta concertos de música clássica alguns dos seus “monstros”.
Por estas razões, é vulgar a Festa da Música ser invadida por famílias inteiras, muitos estudantes, idosos ou simplesmente curiosos.
A Maria, por exemplo, só tem seis anos mas assistiu ontem ao seu primeiro concerto de música clássica. A mãe, Fernanda Monteiro, confessou ao CM que o certame é a “melhor oportunidade de desenvolver a apetência da filha para a música”. “Ela adora ouvir música e gostava de aprender violino. Ainda é pequena, mas pode começar desde já a educar o ouvido”, acrescentou.
Números gordos
Os números envolvidos na Festa da Música são impressionantes: este ano foram disponibilizados mais de 52 mil bilhetes, para 135 concertos, que serão interpretados por 500 músicos, sendo uma centena deles portugueses. Ontem, 45 espectáculos já estavam esgotados, restando apenas seis mil bilhetes para os outros 90 concertos.
Mas, apesar do êxito alcançado pela Festa da Música, o CCB está a lutar contra uma conjuntura económica adversa.
Os custos das anteriores quatro edições da Festa da Música foram, até agora, comparticipados em cinquenta por cento pelo Programa Operacional da Cultura, o que deverá deixar de acontecer no próximo ano.
No entanto, de acordo com o administrador do CCB, Francisco Motta veiga, o certame "não está em risco", afirmando acreditar que o Ministério da Cultura "deverá encontrar uma solução para a continuidade da iniciativa".
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