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Correio da Manhã

Cultura
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Ministra fala em mudança

O modelo de gestão e de financiamento da Casa da Música do Porto, proposto pelo anterior executivo e não promulgado por Jorge Sampaio, vai sofrer alterações.
A garantia chegou pela voz da ministra da Cultura, Isabel Pires de Lima que, em declarações ao Correio da Manhã, revelou que o “decreto-lei foi recolhido e haverá um reequacionamento do mesmo”, disse.
25 de Março de 2005 às 00:00
Esclarecendo que não há ainda uma data definida para a resolução deste problema, Isabel Pires de Lima foi, no entanto, peremptória: “A reapreciação do documento perspectiva uma mudança e passa por uma renegociação com os fundadores”, referiu.
Questionada sobre quais as alterações a introduzir, a ministra foi evasiva: “O teor é secreto, e os primeiros a tomar conhecimento serão a administração e os fundadores”, disse.
A escassos 20 dias da abertura da Casa da Música permanece assim por resolver um dos principais problemas da instituição. Um facto que não preocupa sobremaneira a ministra. “Tenho a confirmação por parte do Conselho de Administração que o projecto está salvaguardado”, acrescentou Isabel Pires de Lima.
RIO DESCONHECE FUTURO
Entretanto, atento ao desenrolar do processo está o presidente da Câmara Municipal do Porto (CMP).
Rui Rio esteve esta semana reunido com a ministra, mas não obteve quaisquer indicações sobre o modelo de gestão de financiamento previsto para a Casa da Música.
Rui Rio mostrou-se, no entanto, agradado com o trabalho da ministra... mas não totalmente.
“Só estaria satisfeito se já estivesse tudo bem definido”, acrescentou o presidente da CMP, disse ao CM.
Recorde-se que a edilidade portuense tem o seu lugar no grupo de accionistas em perigo, depois do ‘chumbo’ dos deputados municipais do Ps, CDU e BE. Rui Rio, porém, perspectiva já novos cenários.
“Caso a situação se mantenha, o capital social da Câmara pode vir a ser diluído por várias instituições culturais”, afirmou Rio.
PROBLEMAS POR RESOLVER
O modelo de gestão da Casa da Música é um problema herdado do Governo anterior. A ministra terá de encontrar um equilíbrio entre as posições de entidades privadas e estatais. Relembre-se que Jorge Sampaio não promulgou o decreto-lei que dava maioria ao Estado no capital (60%), mas com os privados a dominarem a administração (tal como em Serralves, por exemplo). No que se refere ao financiamento da actividade, a redução dos 10 milhões de euros acordados para 900 mil, que é o que decorre do decreto ministerial, provocou a revolta de Artur Santos Silva e Belmiro de Azevedo, respectivamente presidente e membro do Conselho de Fundadores.
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