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Correio da Manhã

Cultura
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Ministra na mira do teatro

"Os artistas portugueses têm a noção de que os tempos são difíceis e de que Portugal atravessa uma situação económica complicada, mas querem negociar com o Ministério da Cultura os cortes a atribuir às artes. E estão disponíveis a abdicar do acessório, a favor do essencial."
12 de Julho de 2010 às 00:30
Gabriela Canavilhas enfrenta críticas de vários sectores da Cultura
Gabriela Canavilhas enfrenta críticas de vários sectores da Cultura FOTO: Hugo Delgado/Lusa

Quem o garante é Tiago Rodrigues, um dos porta-vozes da Plataforma do Teatro, que hoje se reúne em Lisboa para reflectir sobre os anunciados cortes nos apoios às artes e para tentar afinar, a uma só voz, as dúvidas a apresentar à ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas.

Tiago Rodrigues só não consegue explicar o que é "acessório" no funcionamento do Ministério da Cultura. "É algo a discutir com a ministra, e temos toda a disponibilidade para o fazer", afirma. "No essencial é que não se pode cortar." Sendo o essencial "os agentes culturais" e "o seu trabalho". "Os cortes anunciados são insignificantes no Orçamento do Estado", defende Tiago Rodrigues. "Eles totalizam dois milhões e 500 mil euros, ou seja, o prémio de produtividade de um gestor de uma empresa pública. Mas sem esse dinheiro há milhares de pessoas que não podem trabalhar e honrar compromissos."

Esta é a primeira crise grave que enfrenta o Ministério de Gabriela Canavilhas, que tem sido fortemente contestada por todos os sectores artísticos desde que, no mês passado, foi aprovado um decreto-lei que prevê o corte de dez por cento nos apoios à cultura e a cativação de vinte por cento das verbas atribuídas aos institutos tutelados pelo seu Ministério. A recente demissão do director-geral das Artes, Jorge Barreto Xavier, que alegou desentendimentos com a ministra, piorou a situação.

O CM tentou falar com Gabriela Canavilhas, mas até ao fecho desta edição tal não foi possível.

PORMENORES

REDUÇÃO DA CATIVAÇÃO

O primeiro-ministro José Sócrates interveio nesta crise reduzindo o valor da cativação das verbas a atribuir à Cultura: de 20 por cento, passou para 12,5 por cento.

DEMISSÃO POLÉMICA

No seguimento da demissão do director-geral das Artes, o Bando emitiu um comunicado em que questiona o processo. Tiago Rodrigues diz que os contornos do caso têm de ser "esclarecidos".

ARTES NO PARLAMENTO

A Plataforma das Artes, que reúne criadores de todas as áreas culturais, vai hoje ao Parlamento, onde será recebida pelos grupos parlamentares de Os Verdes, CDS e PS.

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