Barra Cofina

Correio da Manhã

Cultura
7

Miroca Paris, do Mindelo para o Coliseu passando pelo Capitólio

Músico cabo-verdiano vai estar no Capitólio para fazer o seu primeiro grande concerto em Lisboa.
Tiago Sousa Dias 13 de Janeiro de 2020 às 22:34
A carregar o vídeo ...
Miroca Paris, do Mindelo para o Coliseu passando pelo Capitólio

Nasceu no Mindelo e aos 17 anos veio para Portugal. Já trazia a música consigo e vontade de a fazer crescer deste lado de cá em novos projetos. Começou no B.Leza, passou pela banda de Sara Tavares, até se mudar para Paris e para a banda da diva da morna, Cesária Évora. Agora está em Lisboa, para concertos tão especiais quanto diferentes.

Na próxima sexta-feira, 17 de Janeiro, o músico cabo-verdiano Miroca Paris vai estar no Capitólio para fazer o seu primeiro grande concerto em Lisboa.

"Vou ter convidados muito especiais, vai ser um dia de festa. A música tem que ter um certo impacto nas pessoas. Vou também celebrar a Morna. Cabo Verde está a passar um momento muito importante. A Morna foi considerada Património Imaterial da Humanidade pela UNESCO, e vou celebrar isso no meu concerto. Também vou ter outros fãs, pessoas que vêm do Japão, Austrália, Reino Unido, Brasil, Espanha, de França. Isso devido a uma tournée onde estou, a Madame X. Por isso vamos estar todos misturados e Lisboa vai estar pintada em mil cores." garante Miroca Paris.

Miroca veio para Portugal com 17 anos. Chegou da Ilha de São Vicente, do Mindelo, já com uma boa experiência musical. Pertencendo a uma família de músicos sempre encontrou uma grande variedade de instrumentos espalhados pela casa. Optou por começar pela bateria, mas aos 11 anos comprou a sua primeira guitarra. Formou o seu 'grupinho' no Mindelo e assim foi crescendo até chegar a Lisboa onde encontrou o seu primeiro trabalho no antigo B.Leza.

"Não havia espaço para mim como guitarrista ou cantor. Acreditei e respeitei o momento. Então fui para um cantinho onde havia umas congas, e lá comecei a minha aventura como percussionista profissional. Já tinha alguma base, e foi onde tudo começou. Uns meses mais tarde, depois de muitos dias muitas horas, a Sara Tavares veio ter comigo. e disse-me: gostava que fizesses parte da minha banda. Gosto da maneira como tu tocas." recorda Miroca Paris. Fez parte da banda de Sara durante cerca de um ano, até que se juntou á banda de Cesária Évora. Mudou-se para Paris e acompanhou a diva cabo-verdiana durante onze anos. Pelo meio ia acompanhando outros artistas, não só do mundo lusófono mas também de outras culturas. "Lembro-me de ter vindo várias vezes a Portugal fazer grandes trabalhos discográficos aqui. Um dos quais o disco Balancê da Sara Tavares. Foi um disco muito importante para mim, porque cheguei com uma boa experiência de França. Tocando com vários francófonos e latinos também, muitos de Cuba.", conta Miroca.

O músico estava há cerca de três anos com Cesária Évora quando começou a fazer o 'sound check' do microfone da cantora. Nesses momentos cantava a sua voz, as suas mornas. " Aquele 'sonzão' do microfone dela, tinha um pré-amplificador que dava um 'power' na voz que era uma coisa incrível. Aquele bichinho de cantar em Cabo Verde com o violão veio outra vez. Desde essa altura comecei a fazer as minhas composições durante a tournée da Cesária. Sem pensar que um dia pudesse gravar o meu disco. " recorda o músico que sempre contou com o apoio e incentivo da diva cabo-verdiana.

Depois da morte de Cesária Évora em 2011, Miroca começou a preparar o seu disco. Pegou em temas que compôs para outros artistas, que não tinham sido gravados, e adaptou-os ao seu estilo." Comecei muito lentamente a preparar o disco, porque acompanhava, e ainda acompanho, muitos artistas pelo mundo afora. Por isso o disco demorou a sair. Eu estou sempre a gravar. Gravo em minha casa discos que vão sair nos Estados Unidos, na Holanda, em Cabo Verde, discos que vão sair no Brasil, Itália, em França e até em Espanha." informa o músico.

O seu primeiro single foi Mund Amor, Miroca conta que na altura em que compôs o tema o mundo estava a passar por um momento muito agitado, com muita coisa má a acontecer. Pensou então em duas palavras que pudessem unificar as pessoas - mundo e amor - não especificamente para uma pessoa mas de uma forma geral: "Amor ao próximo, à natureza, à vida", explicou. Expressou essa mensagem em ritmo de Coladeira, pois era assim que se queria apresentar como cantor e guitarrista. Surgiu depois o álbum D'Alma, que inclui o tema "Joana Joaninha" com a participação de Dino d'Santiago.

Em 2007, num concerto de Cesária Évora em Londres, no Queen Elizabeth Hall, aconteceu o encontro entre duas divas: Madonna fez questão de visitar Cesária nos camarins. "Foi muito bonito ver a Madonna e a Cesária juntas. Aí tive a minha primeira conexão com a Madonna.", recorda o cantor.

Quando a diva da Pop veio viver para Portugal resolveu fazer um documentário sobre a sua vida em Lisboa e Miroca foi convidado para fazer parte desse trabalho. Depois, foi convidado para participar no clip Madellin, um dueto de Madonna e Maluma. Em Maio do ano passado, esteve em Las Vegas para atuar com a cantora nos prémios Billboard.

"Acho que tudo correu bem e ela convidou-me para fazer a tournée. Tudo naturalmente, tudo o mais profissional possível. Um momento que nunca vou esquecer. Está gravado na minha memória. Agora estamos aqui em Lisboa. Temos oito concertos no Coliseu. Eu sou um afortunado por estar aqui neste momento, e aproveito aquele espacinho entre os concertos dela para fazer o meu próprio concerto no Capitólio." conclui o cantor,  que estará em digressão com Madame X na Europa até ao mês de Abril.

Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)