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Correio da Manhã

Cultura
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Mistério e sedução

O 42.º Festival de Sintra abriu este fim-de-semana com um recital pelo pianista Sequeira Costa e um espectáculo pela companhia sueca Ballet Cullberg, respectivamente no Palácio de Queluz e no Centro Olga de Cadaval.
4 de Junho de 2007 às 00:00
'Walking Mad', de Johan Inger, surge demasiado colado a duas obras de Mats Ek
'Walking Mad', de Johan Inger, surge demasiado colado a duas obras de Mats Ek FOTO: direitos reservados
Bem conhecido no nosso país, o grupo já com meio século de existência e o nome da coreógrafa pioneira, Birgit Cullberg, manteve, durante décadas, uma sólida ligação ao Ballet Gulbenkian (BG) através de Mats Ek, o coreógrafo residente e filho da falecida artista. Actualmente é Johan Inger o criador que substituiu Ek e que assina ‘Walking Mad’ e ‘As If’, os trabalhos dançados pelos competentes bailarinos de várias nacionalidades e um antigo elemento do BG, o norte-americano Jermaine Spivey.
A primeira obra junta temas musicais bem distintos, o estafado ‘Bolero’, de Maurice Ravel, e uma peça densa de Arvo Pärt, abordando um certo estado de loucura que passa pela alienação e pela obsessão nas relações entre homens e mulheres. Desenvolvendo-se de encontro a uma parede em que se abrem portas e zonas luminosas, ‘Walking Mad’ surge demasiado colado a duas obras de Ek (‘Crianças Velhas’ e ‘Solo para Dois’). Apesar de algumas soluções cénicas interessantes, Inger abusa do personalizado vocabulário de Ek e denota alguma dificuldade na combinação musical. Os nove bailarinos de casacos escuros e chapéus de coco transmitem um certo clima ‘nórdico’ com um profissionalismo que se estende a toda a produção, técnicos e colaboradores.
O ambiente mudou pouco de uma peça para a outra já que ‘As If’ passou a ter 13 bailarinos e desenrolou-se numa espécie de ‘perpetum mobile’ pedestre mas à volta de um enorme e espesso paredão negro espelhado e móvel por onde os artistas trepam e se empoleiram. A misteriosa música de Stefan Levin conduziu-nos por uma viagem de impulsos e deslizamentos em que até couberam piadas a loiras. Inger produziu um bailado sombrio, atractivo e musculado, com personalidade mas influenciado por outro dos seus mestres, o checo Jirí Kylián.
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