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Correio da Manhã

Cultura
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Morre actor que venceu o Tubarão

Era pouco mais do que um desconhecido quando Steven Spielberg o convidou para protagonizar ‘Tubarão’, mas a vida de Roy Scheider nunca mais foi a mesma.
12 de Fevereiro de 2008 às 00:30
O chefe Brody – que matou o terrível predador num filme de baixo orçamento que se saldaria num grande sucesso de bilheteira – morreu no domingo, num hospital de Little Rock, no Arkansas, Estados Unidos, onde estava a ser tratado a um mieloma (cancro nos ossos), que lhe havia sido diagnosticado há dois anos.
Para trás, deixa uma vida pautada pela serenidade e uma carreira que ficou aquém do esperado. Scheider, que, graças a Spielberg se tornou famoso de um dia para o outro, teve os seus dias de glória durante as décadas de
70 e 80, rodando filmes maiores como ‘Incorruptíveis Contra a Droga’ (1971), ‘O Homem da Maratona’ (76), ‘All That Jazz – O Espectáculo vai Começar’ (79), ‘Blue Thunder – Operação Thor’ (1983) ou ‘2010 – O Ano do Contacto’ (84).
No entanto, passou ao lado de grandes oportunidades, que poderiam ter levado a sua carreira mais longe. Em 1977, foi escolhido para integrar o elenco de ‘O Caçador’, mas, por causa de uma cláusula no contrato (que o obrigava a dar continuidade a ‘Tubarão’), o papel foi entregue a Robert De Niro. Scheider foi ainda a primeira escolha para protagonizar ‘Rambo – A Fúria do Herói’, que iria tornar célebre Sylvester Stallone em 1982, mas não aconteceu.
Na década de 90, continuou a trabalhar afincadamente, mas, com algumas excepções – como ‘A Casa da Rússia’ (1990)ou ‘Naked Lunch’, de Cronenberg (91) –, quase sempre em filmes menores. Nada que parecesse afectá-lo, porém. Richard Dreyfuss, que contracenou com ele em ‘Tubarão’, lembra a sua postura inquebrável.
“Era um actor profissional, no melhor sentido da palavra. Chegava, fazia o seu trabalho e ia para casa. Não se punha a lamentar se as coisas corriam menos bem”, diz.
Nascido a 10 de Novembro de 1932, na Nova Jérsia, filho de um mecânico e de uma dona de casa, Roy Scheider destinava-se inicialmente a uma carreira desportiva. O apelo do palco foi, porém, mais forte e foi o cinema – e a televisão – que lhe deram fama e fortuna.
CURIOSIDADES
BOXE COMO PAIXÃO
O nariz partido, imagem de marca de Roy Scheider, foi resultado da sua paixão de adolescência, o boxe. Mas o apelo das artes foi mais forte e acabou por se formar em Drama.
DOIS CASAMENTOS
Ao contrário de muitos actores, Scheider teve uma vida pessoal tranquila. Casou duas vezes: em 1962 com Cynthia Bebout, de quem teve uma filha (Maxmillia), e em 1989 com Brenda King, com quem viveu até à morte e que lhe deu dois filhos (Christian e Molly).
CANDIDATO AO ÓSCAR
Roy Scheider esteve duas vezes candidato a um Óscar. A primeira na categoria de Melhor Actor Secundário, por ‘Incorruptíveis Contra a Droga’, e a segunda como Protagonista de ‘All That Jazz’.
VOZ CONTRA A GUERRA
Roy Scheider foi uma das figuras públicas a fazer ouvir a sua voz em protesto contra a guerra do Iraque. Participou, entre outras, na marcha de Março de 2003, que reuniu 125 mil pessoas.
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