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Correio da Manhã

Cultura
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Morre Claude Chabrol, inimigo número 1 da burguesia francesa

O cineasta Claude Chabrol – um dos nomes mais destacados da ‘Nouvelle Vague’ francesa – faleceu este domingo, aos 80 anos, em Paris, vítima de insuficiência cardíaca.
12 de Setembro de 2010 às 11:36
Chabrol era nome maior da Nouvelle Vague
Chabrol era nome maior da Nouvelle Vague FOTO: D.R.

Amante de filmes policiais e de humor negro, conhecido pelas suas críticas ferozes à burguesia francesa, nos últimos anos Chabrol tinha assinado vários filmes com Isabelle Hupert, como ‘Uma Questão de Mulheres’ ou ‘A Cerimónia’, pelos quais era amado pela mais nova geração de cinéfilos. Nascido a 24 de Julho de 1930, deixa viúva a argumentista, actriz e assistente de realização Aurore Pasquiss, e dois filhos: Mathieu (do seu casamento com Agnès) e Thomas (fruto do casamento com a actriz Stéphane Audran).

“Disse, quando era principiante, que não eram precisas mais de quatro horas — mesmo não sendo dotado — para aprender a realização, e ainda o penso”, escreveu Claude Chabrol no livro ‘Como Fazer um Filme’, editado recentemente pela Dom Quixote.

“Bastam quatro horas para aprender o que é necessário: as implicações das escolhas das objectivas, a pequena gramática das direcções de olhar, como efectuar os movimentos de câmara, a profundidade de campo.” 

Com um prefácio de António Pedro Vasconcelos – que classifica a obra do mestre como “indispensável, uma iniciação preciosa e muito útil” à arte do cinema, o livro tem ainda “a vantagem de se ler em poucas horas e de se limitar a apresentar-nos indicações práticas e não divagações ociosas, teorias contestáveis e conselhos sem préstimo”.

Chabrol – que para além de realizador foi também produtor, actor e argumentista – foi, ao lado de François Truffaut e de Jacques Rivette, um dos críticos mais influentes dos ‘Cahiers du Cinema’, responsável por ter lançado a Nouvelle Vague francesa. O casamento com a primeira mulher – a herdeira Agnès – permite-lhe montar a sua própria produtora de cinema e, em 1959, estreia-se na realização com ‘Um Vinho Difícil’, filme que se torna o manifesto artístico da Nouvelle Vague.

O segundo casamento, com Stéphane Audran, releva-se, também, frutuoso: com a actriz rodará muitos filmes, justamente aqueles que consolidaram, durante os anos 70, a sua fama de inimigo número um da burguesia. Os pequenos vícios, os golpes baixos, a estupidez e hipocrisia dos burgueses franceses não escaparam ao seu olhar atento e cruel em filmes como ‘A Mulher Infiel’ ou ‘As Rivais’.

Depois da separação de Stéphane Audran, em 1980, Chabrol encontra uma nova musa: Isabelle Hupert, com quem rodará obras como ‘Violette Nozière’, ‘Negócios à Parte’, ‘A Comédia do Poder’ ou ‘Madame Bovary’, filmes mais ecléticos, e com quem conquistou os cinéfilos mais jovens.

Em 2005, recebeu o Prémio René Clair da Academia Francesa.

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