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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Morreu o arquitecto Carlos de Almeida

Carlos de Almeida, arquitecto responsável por parte do modernismo presente no urbanismo de Coimbra do século XX, morreu no Hospital dos Covões e será sepultado este domingo.

27 de dezembro de 2009 às 13:14

De acordo com a agência Lusa, o arquitecto de 89 anos, estava hospitalizado há alguns dias, tendo falecido durante a manhã de sábado.

Segundo José António Bandeirinha, professor de Arquitectura e pró-reitor da Cultura da Universidade de Coimbra, Carlos de Almeida “é uma grande figura da arquitectura moderna de Coimbra e do País”.

José Bandeirinha realçou o facto do arquitecto procurar na arquitectura “uma ordem de equilíbrio social” contrária à do Estado Novo.

Carlos Almeida integrou o movimento da arquitectura moderna. Foi discípulo de Nadir Afonso, com quem partilhou o atelier em Coimbra. “Viveu a profissão com um sentido ético e politico muito forte”, acrescentou António Bandeirinha à agência Lusa.

Autor de livros de como ‘A Cidade e o Homem’ (1966) e ‘A Urbanização Fascista e os Trabalhadores’ (1974), Carlos de Almeida participou nas eleições de 1961, como candidato da Oposição Democrática em Coimbra, e foi preso pela PIDE. Foi nas prisões da ditadura que fez amizade com o então jovem músico José Mário Branco.

O corpo encontra-se em câmara ardente na capela de Nossa Senhora da Esperança, em Santa Clara, em Coimbra. O funeral realizar-se-á às 14h30, no cemitério de Cabanas de Viriato, concelho de Carregal do Sal.

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