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Correio da Manhã

Cultura
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Morreu o cartoonista Augusto Cid, sem medo do poder

Humor corrosivo sobressaía no cartoon político. Ramalho Eanes foi um dos visados e valeu-lhe a apreensão de livros.
Isabel Laranjo 15 de Março de 2019 às 01:30
Augusto Cid com alguns trabalhos. Um deles, ‘Porreiro, pá!’, dedicado a José Sócrates
Santana Lopes, no berço, foi outro dos seus visados
Augusto Cid com alguns trabalhos. Um deles, ‘Porreiro, pá!’, dedicado a José Sócrates
Augusto Cid com alguns trabalhos. Um deles, ‘Porreiro, pá!’, dedicado a José Sócrates
Santana Lopes, no berço, foi outro dos seus visados
Augusto Cid com alguns trabalhos. Um deles, ‘Porreiro, pá!’, dedicado a José Sócrates
Augusto Cid com alguns trabalhos. Um deles, ‘Porreiro, pá!’, dedicado a José Sócrates
Santana Lopes, no berço, foi outro dos seus visados
Augusto Cid com alguns trabalhos. Um deles, ‘Porreiro, pá!’, dedicado a José Sócrates
Tinha 78 anos e morreu esta quinta-feira de manhã, em casa, perto do Palácio de Belém. Curiosamente, o palácio onde viveu um ‘inquilino’ que nem sempre gostou dos cartoons do artista: Ramalho Eanes.

‘Eanito’ era a personagem que retratava, pelo olhar de Augusto Cid, o então Presidente, na década de 80. ‘Eanito, El Estático’ e ‘Eanito Superman’ foram os dois livros que publicou sobre o Chefe de Estado e que acabaram por ser apreendidos judicialmente.

Para Cid, o cartoon era, também, contrapoder. "Houve quem nunca entendesse porque é que atacava com violência as pessoas que eram do partido. Esperava mais deles e a desilusão foi maior", disse, em entrevista ao CM, ele que foi militante do PPD/PSD.

Mário Soares queixava-se de que lhe fazia as bochechas demasiado grandes; e, para os lados da Soeiro Pereira Gomes, acreditava que lá iam ‘engolindo os sapos’ que desenhava. "Uma vez chegou-me um indivíduo a casa e disse-me que vinha da parte do Partido Comunista, pois precisava de uma boa caricatura de Álvaro Cunhal. Cedi-lhe duas ou três e o homem saiu de lá todo contente. É sinal de que, de certa forma, tinha alguns admiradores no PCP", disse ainda ao CM.

Luís Afonso, ilustrador, recorda-o como "um cartoonista ácido com os políticos mas agradável no trato". Em Lisboa duas esculturas perpetuam a sua obra: Nuno Álvares Pereira, no Restelo, e a homenagem às vítimas do 11 de Setembro, em Alvalade.

O velório realiza-se esta sexta-feira, a partir das 17h00, na Basílica da Estrela, em Lisboa, de onde parte no sábado, às 10h00, para o cemitério do Alto de São João.
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