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Correio da Manhã

Cultura
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Morreu o escritor Urbano Tavares Rodrigues

O escritor Urbano Tavares Rodrigues morreu, esta sexta-feira, aos 89 anos, em Lisboa.

9 de Agosto de 2013 às 11:15
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urbano tavares rodrigues, morte, óbito, escritor FOTO: Marta Vitorino

Autor de muitos romances e crónicas, é um dos nomes mais importantes das letras portuguesas da segunda metade do século XX em Portugal, com uma carreira de 60 anos.

A notícia da sua morte foi também dada na rede social Facebook, na conta do escritor, pela sua filha, Isabel Fraga. "O meu pai acaba de nos deixar. Estava internado nos [Hospital dos] Capuchos há três dias."

Atento à identidade social e política, Urbano Tavares Rodrigues tinha um estilo marcado pela importância do sujeito e da sua relação com o outro.

O seu último livro, 'Escutando o rumor da vida seguido de solidão em brasa' foi editado há cerca de um ano.

Licenciado em filologia românica, foi leitor de português nas universidades de Montpellier, Aix e Paris, entre 1949 e 1955. Regressou a Portugal depois do 25 de abril de 1974, de onde saiu devido à sua assumida militância comunista - esteve preso pela PIDE entre 1963 e 1968. Durante a clausura escreveu o célebre 'Contos da Solidão'.

Em 1984, doutorou-se em Literatura com uma tese sobre Manuel Teixeira Gomes e foi professor catedrático, na década de 1990, na Faculdade de Letras de Lisboa.

Era membro efetivo da Academia de Ciências de Lisboa e membro correspondente da Academia Brasileira de Letras.

Além dos romances e contos, Urbano Tavares Rodrigues também escreveu na imprensa, em publicações como ‘Bulletin des Études Portugaises', ‘O Século', ‘Diário de Lisboa', ‘Nouvel Observateur' ou ‘Jornal de Letras'.

Nas suas obras ficou marcado também o existencialismo da década de 1950. Dizia que a provocação não o interessava, mas gostava de erotismo e transpunha isso para alguns dos seus livros.

AS ÚLTIMAS DECLARAÇÕES DO ESCRITOR AO 'CM'

Entre as suas distinções estão o Prémio da Associação Internacional de Críticos Literários, o Prémio da Imprensa Cultural, o Prémio Vida Literária da Associação Portuguesa de Escritores.

A sua obra inclui ‘Os Insubmissos' (1961), ‘Imitação da Felicidade' (1966), ‘Tempo de Cinzas' (1968), ‘Filipa Nesse Dia' (1989), ‘A Hora da Incerteza' (1995), ‘O Supremo Interdito' (2000), ‘O Eterno Efémero' (2005) ou ‘Os Cadernos Secretos do Prior do Crato' (2007).

Nos contos, publicou ‘A Porta dos Limites' (1952), ‘Bastardos do Sol' (1959), ‘As Pombas são Vermelhas' (1977) ou ‘Oceano Oblíquo' (1985).

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Enquanto repórter, editou livros de viagens como 'Santiago de Compostela' ou 'Jornadas no Oriente'.

Urbano Tavares Rodrigues deixou obras por editar e no prefácio de um dos seus próximos trabalhos, o escritor deixava já um discurso próximo da despedida.

REAÇÕES 

Ao CM, o escritor Francisco José Viegas recordou a amizade que tinha com Urbano Tavares Rodrigues, descrevendo-o como "um grande estudioso e amante da literatura".

"Apesar dos seus compromissos ideológicos nunca deixou de lado a literatura. A obra dele nunca foi um exemplo de ortodoxia", sublinhou.

Já a escritora Lídia Jorge lembra Urbano Tavares Rodrigues como "um grande amigo dos outros escritores".

"Sempre teve uma grande generosidade para com os outros escritores e eu fui uma das que a recebeu. Foi uma espécie de mentor, um escritor de sabedoria. Deontologicamente era um exemplo. Certas pessoas, como ele, a Agustina ou o Saramago, nunca envelhecem na escrita", precisou ao CM a escritora.

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