Barra Cofina

Correio da Manhã

Cultura
5

Morreu o mestre dos colunistas

O escritor e jornalista espanhol, Francisco Umbral, morreu ontem, aos 72 anos, vítima de paragem cardíaca, sendo hoje cremado no cemitério madrileno de La Almudena.
29 de Agosto de 2007 às 00:00
As crónicas sociais eram o seu forte
As crónicas sociais eram o seu forte FOTO: José Huesca/Epa
A sua saúde, recorde-se, começou a ceder em 2003, ano em que foi hospitalizado na sequência de uma pneumonia decorrente de uma cirurgia intestinal.
Premiado com o Príncipe de Astúrias das Letras de 1996 e o Cervantes de 2000, Francisco Umbral escreveu para cima de 80 livros, alguns dos quais publicados entre nós sob a chancela da Campo das Letras, a saber, ‘Mortal e Rosa’ (1975), ‘Madrid 1940: Memórias de um Jovem Fascista’ (1993) e ‘Como Eram as Ligas de Madame Bovary’ (2003).
Autodidacta, fazia do retrato social matéria-prima tanto dos seus livros como das suas crónicas, nomeadamente, as que assinava nos jornais ‘El País’ e ‘ABC’ e que lhe valeram o cognome de ‘mestre dos colunistas’.
Nem a propósito, tome-se a exemplo o jornalista espanhol Pedro J. Ramírez, para quem Umbral foi “o melhor colunista da história do jornalismo espanhol e fez da sua coluna uma obra de arte”. Carlos Vaz Marques, jornalista e tradutor português de ‘Mortal e Rosa’, também se rendeu quer ao autor quer à obra: “Não conheço outro escritor espanhol com uma vitalidade tão intensa e com a mesma veia lírica e agressiva”, disse à Lusa.
O jornalista português revelou ainda que o seu interesse por Umbral nasceu depois de tomar conhecimento de ‘Mortal e Rosa’, um livro sobre a dor da perda de um filho segundo o pai. Biográfica, a obra constitui uma pausa na habitual agressividade da sua obra.
Carlos Vaz Marques lembrou que, de uma entrevista feita ao escritor, guardou memória de um provocador.
“Fazia de tudo para não ser simpático. Gostava de provocar, de provocar reacções e de ‘malhar’ em quem não gostava. Era impiedoso e implacável”, concluiu.
PERFIL
Umbral, nascido Francisco Pérez Martínez em Madrid, no dia 11 de Maio de 1935, viveu infância e juventude em Valladolid. Aí descobriu uma insuspeita vocação de leitor, tanto mais que a sua escolaridade durou um único ano: entre os dez e os 11 anos. Por essa altura, foi expulso da escola e nunca mais voltou. A personalidade forte e determinada que lhe valeu a expulsão valeu-lhe mais tarde, ensinando-lhe tudo o que se propôs aprender e fazendo dele o autodidacta de sucesso reconhecido em que veio a transformar-se. Distinguiu-se como jornalista e romancista, biógrafo e ensaísta. De si próprio chegou a dizer que só não se tornou um assassino porque conseguiu dirigir a sua agressividade para a literatura.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)