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Correio da Manhã

Cultura
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Morte da princesa Diana no Festival de Cannes

A competiçao oficial do Festival de Cannes foi dominada esta sexta-feira pela pedofilia e por um Papa arrependido, em dois filmes perturbadores, mas foi um documentário explosivo sobre a morte da princesa Diana que mais chamou a atenção.
14 de Maio de 2011 às 00:30
Morte da princesa Diana em versão polémica
Morte da princesa Diana em versão polémica FOTO: d.r.

“Foi um assassínio terrorista!”, exclama Mohamed Al-Fayed logo no início do polémico documentário ‘Unlawful Killing’, dirigido por Keith Allen e que promete gerar uma intensa polémica no Reino Unido.

Desde logo porque o jornalista tornado realizador chama a atenção para os estranhos factos que, segundo ele, indiciam que a morte da princesa Diana e Dodi Al-Fayed a 31 de Agosto de 1997, em Paris, terá sido organizada pelo ‘establishment’ da Casa Real.

E vai até mais longe no seu explosivo documentário, acabando mesmo por afirmar que “a Familia Real é racista”, comparando-a a Máfia e sublinhando até a proximidade nazi da família do príncipe Filipe, marido da rainha Isabel II.

O ambiente aqueceu ainda mais na incendiária conferência de imprensa, com jornalistas a acusarem o realizador de ter feito uma ‘encomenda’ de Al-Fayed, pois o milionário dono do Harrods financiou o projecto com uma doação milionária.

Seja como for, ‘Unlawfull Killing’ não poderá estrear no Reino Unido sem sofrer 85 cortes, nomeadamente os que dizem respeito a ataques directos à monarquia, evitando assim processos-crime imediatos.

Momentos chocantes

No panorama competitivo, Cannes viveu um dos seus momentos mais chocantes com o avassalador ‘Polisse’, pela forma extremamente directa (e por vezes mesmo chocante) como Maiwenn, a actriz francesa tornada realizadora abordou o quotidiano de uma brigada da Protecção de Menores.

Depoimentos brutais em que pais e avós descrevem a forma como abusaram dos filhos ou netos, mas também de uma mãe que não sabia ser crime masturbar os filhos bebés para estes dormirem melhor.

Um filme que se vê debaixo de uma enorme carga emocional. Aproveitamento mediático, dir-se-á? O que se vê é uma dezena de policias apaixonados por um trabalho que lhes consome a vida e as entranhas.

Por fim, o grande Nanni Moretti a mostrar talvez o filme mais forte da competição. ‘Habemus Papam’ é um magnifico exercício de observação da vida mais mundana de um Papa (excelente Michel Picolli) incapaz de cumprir a função para que fora ordenado pelos cardeais. Brilhante Moretti.

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