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Correio da Manhã

Cultura
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Mortinho para estrear

A menos de uma semana da primeira apresentação pública do seu novo musical – que acontece já no próximo sábado, no Teatro Politeama, em Lisboa – Filipe La Féria está exausto e confessa-se ‘mortinho’ para que a estreia de ‘A Canção de Lisboa’ chegue o quanto antes.
13 de Setembro de 2005 às 00:00
Filipe La Féria com as suas estrelas: Miguel Dias (o Vasco Leitão), Sofia Duarte Silva e Anabela (as duas Alice Costa)
Filipe La Féria com as suas estrelas: Miguel Dias (o Vasco Leitão), Sofia Duarte Silva e Anabela (as duas Alice Costa) FOTO: Marta Vitorino
“Estou muito cansado”, diz ao CM, magro e pálido por causa das noites que tem passado sem dormir. É que o elenco tem estado a fazer ensaios pela noite dentro e, de manhã, ainda há muita coisa a fazer. Neste espectáculo La Féria acumula as funções de encenador e cenógrafo, o que torna o seu trabalho mais cansativo, mas infinitamente mais recompensador.
“Estou muito feliz com o resultado”, conta-nos. “Está exactamente como sonhei e espero que seja um sucesso. É que se cairmos do trapézio agora, o Politeama morre.”
200 MIL CONTOS
La Féria investiu um milhão de euros neste projecto e nem sequer está a pagar aos actores. O elenco só passará a receber salário a partir do momento em que haja bilheteira para dividir. O risco é, portanto, partilhado por toda a equipa que ao longo destes dois últimos meses tem vivido como uma autêntica família.
“As pessoas almoçam e jantam cá, só ainda não dormem no teatro. Se calhar podíamos trazer uns beliches...”, graceja o encenador, que se orgulha de ter a trabalhar neste projecto muitos ex-bailarinos do recém-extinto Ballet Gulbenkian. Aliás, ao longo de quase um mês de audições, o empresário diz que reuniu uma equipa criativa de primeira linha.
“Encontrámos gente muito boa”, recorda. “Sobretudo o António Leal (responsável pela componente vocal do espectáculo), que queria vozes excelentes, porque as canções do filme são dificílimas de interpretar.”
A 'VELHA TENDINHA'
La Féria não gosta de falar do espectáculo que vai estrear este sábado: prefere que as pessoas o vejam e digam de sua justiça. No entanto, avisa: a cena que abre o musical é muito pessoal.
“É a forma como eu, um miúdo alentejano, vi a cidade de Lisboa quando cá cheguei”, recorda. “O rio, as luzes... tudo aquilo me impressionou muito e decidi recriar essa impressão em palco.”
E a título de curiosidade, fiquem-se com esta: o fado da ‘Velha Tendinha’, popularizado por Hermínia Silva, foi concebido para ‘A Canção de Lisboa’ mas Vasco Santana não gostou e não o quis cantar. La Féria repõe a verdade e o fado lá estará, num momento que promete ser especial.
OS PROTAGONISTAS DO MUSICAL
MIGUEL DIAS – o actor que Filipe La Féria celebrizou através de espectáculos como ‘My Fair Lady – Minha Linda Senhora’ ou ‘A Menina do Mar’, vai vestir a pele de Vasco Leitão, personagem interpretada no filme pelo genial Vasco Santana. “É o papel da vida dele”, diz o encenador.
SOFIA DUARTE SILVA – Foi, juntamente com Anabela, uma das ‘minhas lindas senhoras’. Deu nas vistas na televisão, em séries como ‘Alves dos Reis’, e agora vai dar corpo à personagem celebrizada por Beatriz Costa, Alice Costa.
ANABELA – A cantora que Filipe La Féria levou para o teatro e que brilhou em ‘My Fair Lady’, volta a dividir o papel de protagonista com a colega, Sofia Duarte Silva. Isto enquanto prossegue a sua carreira musical, tendo recentemente lançado ‘Aeter’.
MANUELA MARIA – Actriz de teatro e televisão, directora de actores da NBP, volta ao Politeama depois da prestação brilhante em ‘My Fair Lady’, onde foi a governanta do Prof. Higgins. Em ‘A Canção de Lisboa’ é a D. Perpétua, uma das tias do Vasquinho.
ALGUMAS SURPRESAS
FERNANDA BAPTISTA
Entre as surpresas do novo musical está a grande fadista portuguesa Fernanda Baptista, que fará uma participação especial. É a sua forma de homenagear os valores de uma cidade a que chama a sua “mãe adoptiva”.
FOGO-DE-ARTIFÍCIO
Preparem-se. La Féria é conhecido pela sua extravagância em cena: já pôs automóveis e cavalos a andar pelo palco, já fez piscinas artificiais. Desta feita promete recriar em cena um fogo de artifício de deixar tudo e todos de boca aberta.
JARDIM ZOOLÓGICO
Outro trunfo guardado a sete chaves é um jardim zoológico que o encenador diz ser “uma grande surpresa”. “Ao princípio nem se percebe se são animais reais ou não...”
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