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Correio da Manhã

Cultura
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Mourão e as 'Candelárias”'

Tradicionalmente a temporada taurina em Portugal abriu sábado, 1 de fevereiro, em Mourão com a Festa das Candelárias, coincidente com o “primeiro tempo sagrado” (dos celtas), chamado de Imbolc, que simbolizava a purificação e a fertilidade.

1 de Fevereiro de 2014 às 20:57

O que afinal não será mais do que o fundamento genético da simbologia taurina a remeter-nos para a característica quase generalizada dos festejos raianos (e não só), onde a simbiose do religioso cristão com o culto pagão é uma realidade que a Historia confirma.

A festividade religiosa e a festa tauromáquica acontecem ali em associação natural, e Mourão encheu-se de forasteiros e da sua diáspora, para festejar a Senhora das Candeias, que trás consigo a luz purificadora e a promessa de melhores dias com paz e pão nas mesas.

Diz a lenda que a Virgem apareceu a um pastor sobre umas moitas de tojos. E a festa que lhe é dedicada, ano após ano, para além da “novena” e da missa solene, termina com a procissão vespertina no domingo, dia 2, com o seu andor, florido, com a imagem em pedra ançã, transportado por equipas de seis moços que se vão revezando ao longo do percurso pelas ruas da vila.

O Festival taurino com que a praça de Mourão, completamente esgotada, abriu a temporada de 2014 tinha um cartel aliciante. A cavalo estiveram Duarte Pinto, que se entendeu com um novilho/toiro de escassa força e alguma dificuldade, esteve à altura do seu cartel numa lide segura e variada. Joana Andrade, a recuperar da grave colhida da temporada anterior, teve mais sorte com o novilho que lhe tocou e aproveitou com saber e galhardia. Os forcados Grupo Real de Moura pegaram os dois toiros da lide equestre mostrando que estão em boa forma. No toureio a pé, o experiente matador António Ferrera bandarilhou com soltura e aproveitou a boa qualidade do novilho que lhe tocou para uma faena ligada e profunda. David Moura, menos beneficiado no sorteio deu mostra do seu saber no quarto novilho da tarde. O português Nuno Casquinha mostrou porque vem triunfando nas praças americanas e merece outras oportunidades entre nós. A surpresa chegou na lide de novilho que fechou praça a cargo do jovem espanhol El Juanito da escola de toureio de Badajoz, que mostrou possibilidades de um bom futuro quando subir a mais altos voos. Desempenho agradável dos novilhos da ganadaria de Murteira Grave numa tarde de toiros que teve ritmo bem dirigida por Agostinho Borges.

Mourão Candelárias tauromaquia tourada
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