Ao segundo dia, o palco Delta foi das mulheres. O Alto da Ajuda voltou a encher-se de música na tarde e noite de sábado, com 22 mil visitantes a ouvir as vozes de Sara Tavares, Ana Bacalhau (dos Deolinda) ou Vanessa da Mata.
Ainda o calor da tarde se fazia sentir, e já os OqueStrada tinham conquistado quem já estava no Palco Santa Casa para os ver. Num ambiente sempre teatral, transformaram o palco na sua ‘Tasca Beat’.
Com uma dedicatória antes de cada tema, provaram que ‘Oxalá Te Veja’ já é conhecido de todos, e fecharam com o triunfal ‘Se esta Rua’, numa atmosfera sempre festiva, a fazer lembrar um arraial.
No Palco Delta, o desfile de estrelas (todas elas mulheres) começou com Márcia Barros, a doce vocalista dos Bossa Nossa, que vestiu temas muito conhecidos dos portugueses com roupagens brasileiras e cores de bossa nova. ‘O Anzol’ (Rádio Macau), ‘Jura’ (Rui Veloso), ou ‘Bairro do Amor’ (Jorge Palma) encantaram os presentes, num fim de tarde perfeito, em que até ‘Rock With You’, de Michael Jackson, se ouviu em estilo bossa nova.
Mas o Brasil estava também presente no outro palco do festival: os Pedro Luís & A Parede iam tentando aquecer quem chegava com sonoridades que resultavam de um (feliz) casamento entre pop e samba.
De repente, a plateia do Palco Delta tornou-se num mar de gente, cheio de boas vibrações. Sara Tavares tinha chegado, e quis, desde o primeiro minuto, que todos participassem no espectáculo. O público aderiu: cantou, dançou, e mesmo nos temas ainda não muito conhecidos – do recente ‘Xinti’ – acompanhou a vencedora do primeiro ‘Chuva de Estrelas’.
Na sua passagem pelo Delta Tejo, Sara Tavares misturou o novo (e tranquilizante) ‘Ponto de Luz’, com o já antigo ‘Mi Ma Bô’, e relembrou ‘Balancé’, sempre na tentativa de espalhar o ‘Bom Feeling’ que só ela sabe trazer.
Além da música, chamou ao Delta Tejo uma onda de energia positiva enorme, e um espectáculo que quem viu não esquecerá nos próximos tempos. Mas o tom da festa rapidamente mudou para receber os Deolinda que, em palco, deixam muito bem explicado o sucesso que têm dentro e fora de Portugal.
À primeira tentativa, agarraram o público com ‘Fado Toninho’. Depois foi um desfile de temas que se vão tornando cada vez mais familiares do público: ‘Não Sei Falar de Amor’ e ‘Clandestino’ a aquecer corações, ‘Fon Fon Fon’ - uma prova para os mais cépticos - e ‘Movimento Perpétuo Associativo’ um (quase) hino nacional.
Houve ainda tempo para ‘É ou Não É’ de Amália Rodrigues, e ‘Garçonete da Casa de Fado’, um tema com sotaque brasileiro, a contar a história de alguém que veio do Brasil trabalhar para Portugal e se rendeu ao fado.
No Palco Santa Casa, já os portugueses Per7ume tinham reunido um grande número de fãs. Para lhes agradecer, tocaram vários temas de ‘Per7ume’, o homónimo disco de estreia. Em ‘Versos de Amor’ – versão de uma música de Carlos Paião, feita para um disco de homenagem ao cantor - e ‘Intervalo’, o público ajudou.
Faltava ainda uma estrela, vinda do Brasil, na constelação da segunda noite do festival: Vanessa da Mata transpôs as cores do seu vestido comprido para o seu espectáculo, e fechou com chave de ouro. ‘Vermelho’, ‘Ai, Ai, Ai’ ‘Eu Sou Neguinha’ e ‘Não Me Deixe Só’ conseguiram que o espectáculo fosse uma caminhada por bons momentos da cantora.
Mas foi com ‘Boa sorte/Good Luck’ que o triunfo foi evidente. Houve ainda tempo para um momento intimista (em que a cantora se queixou do “barulho” proveniente do outro palco), num estilo acústico, e também aí saiu vencedora, apesar do abandono de parte da plateia. O público português mostrou que a brasileira é sempre bem-vinda a Portugal.
No final de mais uma noite, a objectivo parecia cumprido – a festa da música tinha deixado satisfeito quem rumou até ao Alto da Ajuda, para participar no festival à beira-rio plantado.
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