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Músculo e feitiço nacionais

A força da música portuguesa marcou ontem o arranque da 12.ª edição do festival Super Bock Super Rock (SBSR). O Sol ainda brilhava quando os Ramp abriram as hostilidades, acendendo o rastilho do incêndio sonoro que deflagrou, mas o melhor estava reservado para a hora seguinte quando, às 19h00, os Moonspell subiram ao palco para enfeitiçar os milhares de jovens que já se encontravam no recinto montado no Parque Tejo, junto ao Parque das Nações.

26 de maio de 2006 às 00:00

Embora tenha aproveitado para estrear em Lisboa o novo trabalho, ‘Memorial’ (que já foi n.º 1 do ‘top’ português), foi com os temas mais antigos que a banda de Fernando Ribeiro incendiou a plateia. Com um cemitério por cenário e efeitos visuais, os Moonspell entraram com problemas de som, que tornaram inaudível o primeiro tema, ‘Proliferation’.

“Esta m... já funciona?”, questionou Fernando Ribeiro, antes de iniciar o novíssimo ‘Finisterra’, que abriu caminho para uma prestação musculada e poderosa. Seguiram-se dois temas do recente álbum – ‘Memento Mori’ e ‘Blood Tells’ – mas foram os ‘clássicos’ que levaram ao rubro os milhares de fãs. ‘Opium’, ‘Wolfshade’, ‘Alma Mater’, ‘In And Above Man’, ‘From Lowering Skies’ (com a bateria de Mike Gaspar ao rubro numa batida alucinante) e ‘Full Moon Madness’ foram os mais aplaudidos pelo público, que conheceu ainda o novo ‘Luna’.

PODEROSOS RAMP

Antes, os Ramp de Rui Duarte cumpriram a obrigação, aquecendo as hostes com uma prestação forte e a entrega a que já habituaram os fãs de heavy metal. Tal como os Moonspell, o grupo sofreu problemas de som, rapidamente resolvidos e que não deixaram dúvidas de que a banda é uma das mais competentes, profissionais e poderosas do panorama musical nacional. Mesmo que tal seja raramente reconhecido.

Durante a actuação de cerca de 40 minutos, o grupo interpretou temas bem conhecidos como o vibrante ‘Black Tie’ e o mediático ‘Anjo da Guarda’, que ficou famoso como tema da sádica série de animação da SIC Radical com o mesmo título. E saíram de palco com os merecidos aplausos do público.

Pelo palco secundário, baptizado Quinta dos Portugueses e colocado ao lado do principal, passaram algumas promessas da nova música nacional, nomeadamente Devil in Me, Twenty Inch Burial e Cinemuerte (cuja vocalista, Sofia, é a convidados dos Moonspell em ‘Luna’).

O 'GIGANTE' DA SEGURANÇA

Os quase dois metros de altura de Eduardo Ferreira não passam despercebidos no recinto. Com 44 anos e 22 de profissão, este ‘gigante’ é uma cara bem conhecida dos frequentadores dos festivais e concertos e um dos principais responsáveis pela segurança e bem-estar dos espectadores.

“Trabalho com a Música no Coração (empresa organizadora do festival) desde o primeiro SBSR, há 12 anos”, contou Eduardo Ferreira que, depois de ter começado a carreira como hóbi, se dedica agora de corpo e alma à sua empresa de prestação de serviços, que tem ainda como clientes, entre outros o PSD.

“O principal problema destes eventos são os excessos e estamos aqui para ajudar os ovens a divertirem-se e a não se aleijarem”, referiu, acrescentando que hoje, devido aos muitos anos de trabalho, tem a vida facilitada.

'É MELHOR DO QUE EM ESPANHA'

O SBSR já não é apenas um festival nacional. Este ano, tal como em 2005, recebeu a visita de muitos espanhóis, que chegaram “encantados com o cartel” apresentado. Laura Rios, de 18 anos, veio com mais cinco amigos de Madrid para “curtir”. Os 600 quilómetros que separam Lisboa da capital espanhola foram percorridos de avião e, já em território nacional, de autocarro. “Em Espanha, este ano os festivais não têm um bom cartel e, como este é muito bom, decidi cá vir”, contou a jovem, que pela primeira vez assiste a um evento de música no nosso país: “Já estive no Norte de Portugal, mas é a primeira vez que venho a um festival”.

Laura vem apenas para os dois primeiros dias, por ser fã dos Korn (que ontem encerraram o festival) e dos Placebo (que actuam hoje. “Mas penso voltar para mais festivais ou concertos em Portugal se continuarem com esta qualidade”, acrescentou Laura, considerando o SBSR um evento “muito bem organizado, com as entradas bem feitas e controladas e um excelente recinto. Muito melhor do que em Espanha!”, rematou.

NÚMEROS

As barracas de comes e bebes apresentam números ‘interessantes’ para um evento musical. O famoso McDonald’s levou para o primeiro dia 23 400 hambúrgueres e 12 mil pães. Batatas fritas e bebidas não faziam parte do menu. Já o Sr. Patinhas apostou nos doces, com 44 quilos de milho para pipocas, 20 de açúcar para algodão-doce e 64 litros de gelado holandês. A Kellogg’s lançou uma nova versão do CrispX e levou 1100 pacotes de cereais e 13 mil pacotes de leite para acompanhar.

BEBIDAS

Patrocinador oficial, a Super Bock inundou o recinto com cerca de 40 mil litros de cerveja. E isto apenas para o primeiro dia, já que, segundo afirmou ao CM um responsável da marca, Miguel Araújo, a previsão de consumo para os quatro dias é de cerca de... 100 mil litros. Mas nem só de álcool vive o SBSR. A segunda bebida mais consumida é a água e os pontos de venda estão equipados com cerca de 15 mil litros, a somar a cinco mil de refrigerantes.

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