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Correio da Manhã

Cultura
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Museu Berardo vai passar a cobrar entradas

O colecionador Joe Berardo acaba de revelar que as exposições temporárias sem apoio mecenático vão passar a ter entradas pagas, a partir deste ano, no Museu Coleção Berardo, em Lisboa.
1 de Abril de 2013 às 21:12
Joe Berardo
Joe Berardo FOTO: Lusa

A decisão foi tomada numa reunião recente do Conselho de Fundadores do Museu Coleção Berardo, instalado no Centro Cultural de Belém (CCB) desde junho de 2007, e até agora com entrada gratuita em todas as exposições.

A criação do museu foi aprovada em 2006 e um decreto-lei do Ministério da Cultura, da altura, determina que o Conselho de Fundadores da Fundação de Arte Moderna e Contemporânea - Coleção Berardo se reúna anualmente para dar parecer sobre o plano de atividades.

Joe Berardo, que preside à Fundação e ao Conselho, indicou que estiveram presentes, nessa reunião, o secretário de Estado da Cultura, Jorge Barreto Xavier, e Vasco Graça Moura, presidente da Fundação CCB.

"Foi aprovado que as exposições baseadas na coleção do museu vão continuar a ser gratuitas, e as exposições temporárias, com outras coleções, que tiverem mecenato, também se mantêm gratuitas", indicou.

O acordo assinado em 2006 - com uma validade de dez anos - entre o Estado, através do então Ministério da Cultura, e Joe Berardo, criou um museu com uma coleção de 862 obras de arte moderna e contemporânea, avaliadas, na altura, em 316 milhões de euros pela leiloeira internacional Christie's.

No caso "das exposições temporárias com base noutras coleções, que não tenham qualquer apoio mecenático, vão passar a ter entradas pagas", e o seu valor - adiantou - será decidido individualmente.

"Será o Conselho de Administração a decidir o preço do bilhete para cada exposição, partindo de uma avaliação individual do seu custo", indicou o presidente da Fundação à Lusa.

Questionado sobre os 500 mil euros que cada uma das partes se comprometeu, no acordo de 2006, a investir na coleção do museu para a atualizar, e que não é cumprido há dois anos, Joe Berardo indicou que houve um novo adiamento.

"Foi pedido um adiamento da SEC por mais um ano neste investimento anual do fundo para aquisição de novas obras", disse Joe Berardo.

"Compreendo que vivemos em tempo de crise e é difícil fazer este investimento nesta altura", comentou, acrescentando, no entanto, que "a cultura é a melhor maneira de desenvolver um país e criar novos postos de trabalho".

Sobre a negociação dos termos do contrato entre Joe Berardo e o Estado, anunciada em fevereiro deste ano pelo secretário de Estado da Cultura, no parlamento, o colecionador disse que o caso "vai ser estudado".

"Temos mais quatro anos no contrato. E é preciso não esquecer que qualquer alteração terá de passar pelo parlamento", que aprovou a criação do museu com o aval do Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva.

Joe Berardo indicou ainda que, na terça-feira, vai realizar-se, ao fim da tarde, uma reunião do Conselho de Administração da Fundação Coleção Berardo.

O Museu Coleção Berardo recebeu cerca de 3,6 milhões de visitantes entre a inauguração, em junho de 2007, e o final de 2012, segundo os dados desta entidade.

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