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Correio da Manhã

Cultura
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MUSEUS FECHAM NA PÁSCOA

À semelhança de anos anteriores, os trabalhadores dos museus, palácios e monumentos vão paralisar de novo no período da Páscoa. A greve (a 12.ª nos últimos 13 anos) foi convocada pela Federação Nacional dos Sindicatos da Função Pública e decorrerá entre as 00h00 horas de 18 de Abril (sexta-feira santa) e as 24h00 horas de dia 20 de Abril (domingo de Páscoa).
12 de Abril de 2003 às 00:03
O Mosteiro dos Jerónimos é um dos mais populares e um daqueles que mais prejuízos deverá registar
O Mosteiro dos Jerónimos é um dos mais populares e um daqueles que mais prejuízos deverá registar FOTO: Arquivo CM
Abrangidos pelo pré-aviso de greve estão todos os trabalhadores dos museus, palácios, monumentos, castelos e zonas arqueológicas que pertencem ao Instituto Português de Museus (IPM) e ao Instituto Português do Património Arquitectónico (IPPAR).
Em comunicado, a federação esclarece que a paralisação “tem como motivo genérico o estrangulamento, operado pelo Governo, no sector da cultura em Portugal”. Outro motivo invocado é o não descongelamento da admissão de pessoal, deixando-se caducar os contratos que estão sem renovação e ainda aqueles que são de vínculo precário, usados principalmente nos meses de Verão.
Contactado pelo CM, Luís Conceição, dirigente do sindicato da Função Pública, adiantou que esta não deverá ser a única greve dos trabalhadores dos museus no decurso deste ano. No entanto, disse, esta será a última vez que os funcionários farão greve num feriado.
Segundo este dirigente, os funcionários dos museus exigem uma definição de horários (que não existe), o que significa que, na teoria, se deveriam regular pelo regime de horários da Função Pública. Isto é, trabalhar de segunda a sexta-feira e folgar aos fins-de-semana. “Não estamos contra trabalhar aos fins-de-semana, só queremos é ser pagos por isso, como qualquer outro trabalhador ”, afirmou. “Se querem sacrifícios têm de nos pagar”, acrescentou.
MAIS GREVES
A greve dos trabalhadores dos museus acontece em pleno período pascal, altura em que Portugal costuma ser invadido por uma pequena multidão de turistas - espanhóis na sua maioria -, já que desde 1994 foi dado um incentivo a nível de turismo ibérico, como reconheceu fonte da direcção do Museu dos Coches contactada pelo CM.
Todavia, este tem sido o período escolhido para a paralisação. Nos últimos 13 anos apenas se verificou uma excepção, o ano passado, e isto porque, segundo Luís Conceição, “o Governo tinha acabado de entrar e não seria justo”, disse.
Este ano, contudo, os sindicatos voltaram à carga de novo na Páscoa, e ameaçam não ficar por aqui. Segundo o dirigente sindical, os trabalhadores não foram ainda ouvidos pelo ministro e poderão “avançar com mais greves”.
NÚMEROS
PREJUÍZOS
Jerónimos, Batalha e Palácio Nacional de Sintra, três dos principais “monumentos” nacionais, poderão registar prejuízos na ordem dos seis mil euros por cada dia de greve. É que neste período o número de visitas costuma disparar para cerca de três mil por dia.
ADESÃO FRACA
Segundo a direcção do Museu Nacional dos Coches (o mais visitado em 2002), a adesão à paralisação “nunca é muito significativa”, até porque muitos dos trabalhadores “não são sindicalizados”. A direcção do museu reconheceu, no entanto, um aumento de visitas na quadra pascal.
OS MAIS VISITADOS
De acordo com dados do Instituto Português de Museus (IPM), mais de um milhão de pessoas visitaram os museus portugueses em 2002. O mais procurado foi o dos Coches, com 226 mil entradas. Logo atrás ficaram o Museu Monográfico de Coimbra (135 mil), do Azulejo (76), Arte Antiga (73) e Arqueologia (72).
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