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Correio da Manhã

Cultura
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Música, enquanto é tempo

Uma corrida é uma festa. O toureio é uma dança. A música empolga o sentimento e as emoções.
14 de Março de 2007 às 00:00
A música de tradicional acompanhamento do toureio, a pé e a cavalo, é o ‘pasodoble’, cuja história se perde no tempo, desde cedo consagrando nomes de artistas e cidades, passando por inúmeros exemplos de diversos destaques no contexto da Festa de Toiros.
À excepção da Monumental de Las Ventas (Madrid), em todas as praças a banda de música toca durante as faenas. Na capital espanhola, a música só se toca no ‘paseo’, (as cortesias), após a morte do toiro, nas voltas à arena e no final da corrida, nunca durante as lides. E só por excepção aconteceu num ‘tércio’ de bandarilhas do português Mário Coelho em momento histórico!
Conforme o regulamento em vigor em Portugal, a banda de música começa a tocar durante as lides por ordem do delegado da Inspecção-Geral das Actividades Culturais, que dirige a corrida. E este deve fazê-lo a pedido expresso do público, sendo que o poderá fazer antes, desde que a lide o esteja merecendo, no seu critério, obviamente.
Ora, aqui bate o ponto. Alguns delegados em actividade, uns mais do que outros, têm postura diferente do que se deseja. Muito público pede música e o delegado não acede; a lide começa em boa qualidade, não há pedidos (ou só uma ou outra vez) e o mesmo tão-pouco assume que a música é, segundo o tal Regulamento, para ‘abrilhantar’ (...) e que a banda, a tocar, deve fazê-lo enquanto é tempo...
Mandar tocar música apenas como prémio é erro. Não é o espírito regulamentar nem ajuda ao ambiente festivo e de qualidade. Música ao terceiro curto, em lide correcta, já pouco adianta e só convida a prolongamentos tantas vezes inconvenientes.
Na lide a pé, faça-se como em Sevilha. A música soa nos bons começos da faena, e não ao fim de cinco/seis ‘tandas’ (séries de passes de muleta), como por cá acontece geralmente.
Uma corrida é uma festa. O toureio é uma dança. A música empolga e aprofunda o sentimento e as emoções. Não entender isso é querer ser-se juiz no mais frio tribunal. E nem uma praça de toiros o deve ser nem tão-pouco haverá juiz mais soberano, dentro da lei, do que o próprio público!
- São torcato é a ganadaria que os toureiros procuram para o êxito. O comportamento (investir, ir e volta...) do novilho lidado domingo, no Montijo, na corrida de homenagem a Francisco Plirú pelo jovem ‘Morenito de Portugal’, disse porquê. Transição, recorrido, bravura e nobreza são a garantia sonhada!
RUI FERNANDES
Regressado do México, Colômbia e Venezuela, fez saber que ali deixou 27 corridas contratadas para breve. Resultado de apoteoses vividas, que elevaram bem alto o nome do nosso País. Brilhante!
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