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Correio da Manhã

Cultura
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Musical romântico

Depois do realismo cruel a abordar a questão do aborto ilegal na Roménia, bem patente no vigoroso filme de Cristian Mingiu, ‘4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias’ (na tradução portuguesa), foi a vez de nos rendermos ao romantismo musical de Christopher Honoré, em ‘Les Chansons D’Amour’, uma produção de Paulo Branco. A competição aumenta.
19 de Maio de 2007 às 00:00
Garrel e Chiara Mastroianni (à esq.) e o restante elenco
Garrel e Chiara Mastroianni (à esq.) e o restante elenco FOTO: Daniel Deme, Epa
Foi em Janeiro, pouco depois de concluir ‘Em Paris’, filme já mostrado em Portugal, que a estreia em colaboração do realizador francês com o produtor português permitiu iniciar de imediato a rodagem de ‘Les Chansons D’Amour’, filme que Honoré rodou em apenas 32 dias.
“O Paulo (Branco) permitiu-me começar logo a trabalhar nesta comédia musical que é também uma homenagem ao cinema de Jacques Demy”, referiu Christophe Honoré na conferência de imprensa que se seguiu à aplaudida projecção. Ao CM, Branco referiu: “Sou contra a estandardização do cinema francês. Aqui tentámos fazer alguma coisa diferente. No fundo, não perder tempo e ir ao encontro do essencial”.
TRAJECTÓRIA IRRESISTÍVEL
Aí se descreve a trajectória irresistível da personagem interpretada por Louis Garrel (filho do realizador Philippe Garrel, que também vemos na película ‘Em Paris’) ao longo de diversos trechos amorosos e musicados a partir das inspiradas canções de Alex Beaupin.
São trechos plenos de romantismo que ecoam nas ruas de Paris e que facilmente nos fazem recordar os musicais de Demy, em que Catherine Deneuve brilhou, sem esquecer também os musicais clássicos americanos.
Depois de Deneuve, vemos agora a sua filha Chiara (e de Marcello Mastroianni) prolongar essa veia musical, isto apesar de a actriz afirmar que, durante a rodagem, a mãe não lhe serviu de inspiração: “Não tive tempo para pensar nessa referência”, confessou. Ao contrário de Ludivine Sagnier, que admitiu: “Eu gosto das referências e não podia deixar de pensar que a filha de Catherine participava no filme”.
Sem dúvida, um filme arrebatador e belo. Para já, recebeu a atenção da crítica e as palmas do público; no término do Festival, logo se verá.
ESTREIA AUSPICIOSA
‘Control’ corre o risco de converter-se num pequeno filme de culto. É esse o indicador que resulta da acalorada recepção em Cannes a este filme biográfico de Ian Curtis, o líder dos Joy Division, bem como ao desempenho do desconhecido Sam Riley no protagonismo.
‘Control’ foi exibido ontem, precisamente 27 anos depois do suicídio do vocalista. Anton Corbjin optou por mostrar “uma pessoa normal que só gerou o estatuto que hoje tem depois da sua morte”. Excelente trabalho do realizador num filme que é já um forte candidato à Camèra D’Or, que premeia as primeiras obras.
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