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Correio da Manhã

Cultura
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“Não entro na festa para ser só mais um”

João Pedro Bolota, empresário, despiu a jaqueta dos Forcados Amadores de Alcochete para dar ainda mais fôlego às praças de Santarém e Azambuja
31 de Março de 2008 às 00:30
“Não entro na festa para ser só mais um”
“Não entro na festa para ser só mais um” FOTO: direitos reservados

Correio da Manhã – O João não é o primeiro ex-forcado a escolher a via de empresário tauromáquico como a melhor maneira de se manter dentro da festa. Como se explica esta opção?

João Pedro Bolota – Foi na verdade um escape que encontrei para dar continuidade à minha enorme paixão pela festa de toiros. Nunca deixar a festa foi um sonho que sempre alimentei e que me proponho realizar.

– Há um fado antigo onde se canta: "Mais cornadas dá a fome do que um toiro resmalhado." Sabendo-se que a actividade empresarial não está isenta de riscos, que valem por‘cornadas’,oquelhe ocorre dizer?

– É verdade que há riscos e estou consciente deles na hora em que me lanço para esta actividade. Não entro na festa para ser só mais um, nem para expandir vaidades, mas estou bem ciente de que, com trabalho e dedicação, sempre se chega a algum lado. Será preciso esperar para ver.

– Azambuja e a Monumental Celestino Graça, em Santarém, já lhe estão adjudicadas. A primeira tem carisma especial, no que se refere ao toureio a pé, e a de Santarém a responsabilidade acrescida de ser a maior do País, com várias enchentes registadas na temporada passada. Como espera lidar com estas duas vertentes?

– Para a Azambuja vamos respeitar as datas festivas habituais e tudo o mais que consta das nossas obrigações e responsabilidades. Em Santarém espero que haja reconhecimento público e lá se apresentarão as primeiras figuras de Portugal e Espanha.

– Pode adiantar algo quanto à programação, sobretudo no que se refere às datas mais marcantes e tradicionais da temporada de 2008?

– Para Santarém já tenho contratados António Telles, João Salgueiro, Pablo Hermoso de Mendoza e Diego Ventura, entre outros.

– Na temporada de 2007, Santarém encheu várias tardes com cartéis variados, inclusive uma corrida mista, mercê da inteligente política dos bilhetes baratos numa praça que tem defesa, dada a sua grande lotação e comodidade. Pensa manter o critério?

– Todos os louvores ao actual presidente da Câmara, Francisco Moita Flores, pela sua colaboração nessa área. Claro que penso manter a estratégia dos bilhetes baratos. Há que fomentar a festa!

– É evidente que não poderá estar sozinho no desenvolvimento de uma actividade com tantas vertentes: a financeira, a da montagem dos cartéis, a da escolha dos toiros no campo, a da promoção dos espectáculos, todas elas a exigir experiência. Tem tudo já estruturado?

– Tenho equipa e tenho o meu amigo Luís Pombeiro, que me apoia em tudo, embora algumas áreas específicas me pertençam. Mas isso é prática interna.

PERFIL

João Pedro Bolota nasceu em Alcochete, onde ainda reside, há 46 anos Tal como acontece ainda hoje a muitos jovens daquela vila à beira do Rio Tejo, iniciou-se como forcado aos 16 anos. Recebeu a honra de chefiar o Grupo de Forcados Amadores de Alcochete em 1995 das mãos do colega, e hoje também empresário, António Cardoso (‘Nené’). Hoje, despida a jaqueta de ramagens, surge como novo empresário tauromáquico, ligado às praças de Santarém e Azambuja. Para continuar intimamente ligado à festa.

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