'NÃO FAZEMOS POESIA NEM CANTAMOS POEMAS'

Se houvesse um prémio a atribuir ao mais ambicioso projecto de música portuguesa da actualidade, ele iria certamente para os SDS, um grupo que, sem grandes pretensões de mercado, lá conseguiu, pouco a pouco, fazer a soul descer à terra, à nossa terra.
01.04.03
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O título do álbum de estreia, "Chegou a Hora", lançado há meses, parecia quase premonitório. Hoje, com dois temas a passar na telenovela "Saber Amar" (TVI), o grupo diz mesmo que já cumpriu um dos seus objectivos. "Penso que conseguimos tornar a soul acessível a todos os ouvintes", explica Berg um dos seus elementos, que faz questão de frisar que os SDS (Sons do Soul) vivem livres de qualquer pressão do exterior: "Somos completamente livres e espontâneos".
Formados há três anos por Ângelo Martins, César Lombá, Mário Marta e Berg, os SDS são o típico projecto "um por todos e todos por um" que encontrou nas raízes da soul a pedra de toque para fazer um tipo de som que prima pela "irreverência q.b, pelo bom gosto e pela humildade", segundo garantem. "Não queremos ser levianos. Não queremos passar ao lado mas também não queremos estar sempre lá", afirma Berg. Por outras palavras, cantar e não cansar.
simplicidade
Os SDS souberam fazer canções ligeiras, de rápida absorção, que valem pela simplicidade e pela objectividade. "As melodias são acessíveis e as letras são muito directas. Não fazemos poesia nem cantamos poemas", explica Mário, uma das vozes que já passou pelos Shout.
Apadrinhados por Jan Van Dijck, ("ele é um bocadinho o nosso mentor e foi quem nos encaminhou") os SDS souberam fazer um trabalho surpreendentemente melódico, quase obrigatório, dentro de um estilo para o qual ainda muito poucos educaram os seus gostos.
"É um disco de muitos perfumes e cores e que pode ser ouvido por pessoas de qualquer idade", resume. "Chegamos a encontrar crianças a cantar as nossas músicas".
Composto por 13 temas, "Chegou a Hora" faz alinhar, entre outros, temas como "100% Cool", "Esperar Por Ti (Até ao Fim)" e "É Mais Fácil Amar", composições que andam já na boca de todos, algo que, segundo a banda, prova que em Portugal as coisas estão a mudar.
"Antigamente havia preconceito contra os artistas nacionais. Hoje, temos de perceber que o público português está mais exigente", rematam.

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