Alfredo Saramago, historiador e antropólogo, especialista em História da Alimentação, acaba de ser distinguido por um júri internacional pelo melhor guia de vinhos lusos, livro de 2006 que tem agora sucessor numa reedição de culto: ‘Cozinha para Homens – a Honesta Volúpia’ (ed. Assírio & Alvim).
Apanhado entre festas, Natal e Ano Novo, estava lançado o mote para o desfiar de um rosário de memórias e até de revelações.
“Gosto e cozinho muito mas só quando me apetece mas nestas ocasiões festivas apetece-me sempre. A tradição nem sempre foi o que é. Por exemplo, o bacalhau só agora faz parte das festividades, antes era um prato de jejum e não de festa. Porque Portugal sempre foi dominado pelo Catolicismo, as pessoas respeitavam o Advento, período de quatro semanas antes do Natal, que só terminava com a Missa do Galo. A ceia que se lhe seguia era de carne e de doces, celebrando assim o fim desse tempo de abstinência... Ainda hoje no Alentejo, de onde sou natural, a ceia de Natal é feita com carne de porco frita: a marrã”, conta.
Entre o espanto e o pasmo, insistimos em saber mais da ceia alentejana... “A ceia tradicional alentejana é composta por carne de porco frita, chamada marrã, acompanhada de batata frita e ovos mexidos. Segue-se os doces, nunca conventuais mas convencionais, de região para região só muda o nome: as azevias, as rabanadas, os filhoses, os sonhos, fundamentais, os sonhos”, explica.
Alfredo Saramago gosta de cozinhar, simples e sofisticado, só para si e para todos os outros... Aprendeu a fazer, fazendo, por tentativa e erro.
“Desde sempre que me lembro de associar a cozinha ao prazer de cozinhar bem e comer melhor, entenda--se, nem muito nem sofisticado mas bem feito. Se as coisas forem bem feitas são óptimas e foi assim que fui educado e eduquei os meus filhos”, revela.
É também dos anos de menino que vem a próxima revelação: a da primeira investida culinária.
“Tinha uns sete anos e acabara de caçar duas rolas – sempre gostei de caça e de charutos e de touradas e de tudo o que é politicamente incorrecto. Chegado a casa, fui para a cozinha prepará-las e ficou-me a impressão de as ter comido cruas. Mas gostei, afinal, foi a minha estreia”, conta.
A História da Alimentação, aprendida na Sorbonne, revelou-lhe, sobretudo, a história da civilização. “Quem não sabe História da Alimentação não sabe História Geral porque só há dois imperativos na vida: a sobrevivência e a reprodução, o último é uma opção mas o primeiro não”, defende.
Defende mais: “Não há sabores certos mas companhias certas e também não há regras apesar de haver uns Papas a ditar uns catecismos... Não sou de rituais, a minha única mania é não comer o que não me saiba bem e prefiro uma sanduíche bem feita a uma refeição mal confeccionada. Não sou exigente, gosto é das coisas bem feitas.”
Clássico nos gostos, não revela eleitos mas cita cozinha regional, música e literatura com muitos anos de História... “As minhas preferências dependem das circunstâncias e o melhor que me pode acontecer é fazer o que me apetece. Escolher?!”
SALGADO OU DOCE
“Salgado e doce! Cada um na sua circunstância! Não sou de situações limite...”
COM OU SEM ÁLCOOL
“Com e sem álcool... consoante as ocasiões.”
CAÇA OU PESCA
“Caça! Essa é de caras mas só porque não tenho paciência para a pesca e para ficar ali à espera que o peixe morda o isco.”
COMIDA E BEBIDA
“Qualquer prato da cozinha tradicional alentejana e qualquer bom vinho tinto.”
MÁXIMA DE VIDA
“Conseguir a paz e a tranquilidade nos prazeres e nos sentidos que tenho.”
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