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Correio da Manhã

Cultura
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“Não sou o maior, sou o mais velho cineasta do Mundo”

De voz sumida e visivelmente emocionado, o cineasta Manoel de Oliveira foi esta quinta-feira homenageado no cinema São Jorge, em Lisboa, passando a contar, a partir de agora, com o seu nome na sala que figura no segundo andar do edifício.
28 de Abril de 2011 às 20:13
António Costa fez questão de cumprimentar realizador na inauguração da Sala Manoel de Oliveira
António Costa fez questão de cumprimentar realizador na inauguração da Sala Manoel de Oliveira FOTO: Rui Pedro Vieira

“Não sou o maior, sou o mais velho cineasta do Mundo. Talvez por essa razão, e só por essa razão, o meu nome está numa sala do cinema São Jorge”, disse o realizador de 102 anos.

Acompanhado pela mulher, Maria Isabel Brandão Carvalhais, e pelo neto, Ricardo Trêpa, o realizador agradeceu a homenagem, conduzida pelo presidente da Câmara Municipal de Lisboa, António Costa, e pela vereadora da Cultura, Catarina Vaz Pinto, e confessou que nunca esperou ver o seu nome inscrito na célebre sala lisboeta: “Tenho pensado alguma coisa nisto. Os meus bisnetos vão ficar muito contentes quando souberem que o seu bisavô tem o seu nome numa sala de cinema”, disse.

Antes da exibição do seu último filme, ‘O Estranho Caso de Angélica’, a vereadora Catarina Vaz Pinto aproveitou para enaltecer a obra do realizador. “Esta é uma homenagem singela, mas simbolicamente muito importante”, sustentou.

“Queremos homenagear o cineasta e a riqueza que trouxe como toda a sua filmografia”, acrescentou, lembrando que há já 70 anos que Manoel de Oliveira se dedica à sétima arte.

NETO ORGULHOSO DO AVÔ

Já o neto Ricardo Trêpa, que protagoniza ‘O Estranho Caso de Angélica’, mostrou-se orgulhoso do avô e do filme que já se encontra em exibição nas salas nacionais: “A história foi inspirada na nossa família e por isso tem um significado muito especial.”

Aos jornalistas, Trêpa aproveitou para enaltecer a boa recepção que o filme tem tido no estrangeiro, nomeadamente em França, e para dizer que a acção o toca particularmente. Sobre a homenagem a Manoel de Oliveira, Trêpa acrescentou: “É merecedor para o realizador, para a cidade de Lisboa e para os portugueses.”

Rodeado de muitos amigos, Manoel de Oliveira viu os cineastas João Botelho e Margarida Gil, além dos actores Leonor Silveira e Luís Miguel Cintra, entre a assistência.

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