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Correio da Manhã

Cultura
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NÃO TENHO O HÁBITO DE OUVIR OS MEUS DISCOS

De regresso a Portugal, Djavan toca amanhã e sábado no Casino de Espinho, segunda-feira no Coliseu do Porto e quarta em Lisboa. Um "milagre" para muitos...
26 de Junho de 2003 às 00:00
Djavan vem até nós apresentar o seu último trabalho, Milagreiro
Djavan vem até nós apresentar o seu último trabalho, Milagreiro
Correio da Manhã - A partir de amanhã os portugueses vão poder vê-lo ao vivo numa mini-digressão. O que preparou para nós?
Djavan - Preparei um espectáculo que, embora incida muito no meu último disco, "Milagreiro", envolve também temas de todas as fases da minha carreira. Trata-se de um "show" igual ao que tenho apresentado no Brasil desde Abril do ano passado e que tem proporcionado uma grande participação do público. É um espectáculo que convida a cantar e a dançar o tempo todo.
- Os seus filhos, Max e João, vêm consigo?
- Sim, eles vão estar a tocar comigo, juntamente com o resto da banda que participou em "Milagreiro".
- Também é daqueles artistas brasileiros que considera Portugal a sua segunda casa?
- Sim, sem dúvida. A minha viagem A Portugal é sempre de grande felicidade. Gosto de tudo em Portugal: das pessoas, da comida, da arquitectura das cidades. E, depois, as pessoas são muito musicais e adoram a música brasileira.
- Falando deste último trabalho que vem cá apresentar, é talvez o seu registo mais intenso e pessoal dos últimos anos. Que momento foi esse pelo qual passou que o levou a fazer um álbum assim?
- Depois do disco ao vivo de 1999, que teve um êxito comercial absurdo com mais de dois milhões de cópias vendidas, senti necessidade de fazer uma coisa bem distinta, com uma sonoridade nova. Para isso mudei toda a banda e compus exclusivamente para essa nova formação. Por isso, este álbum ficou com uma "cara" mais intimista, para o que contribuiu também o facto de ter usado elementos mais nordestinos que têm muito a ver com as minhas origens.
- E ao fim de tantos anos o que o motiva a fazer discos?
- O gosto. A vida de artista é muito desgastante mas muito prazenteira também. A motivação é quotidiana, porque o público é sempre diferente, onde quer que a gente vá. E isso ensina-nos muito. Mas nunca fiz um disco a pensar no público. Sempre escrevi para mim. Aliás, quando estou para fazer um disco novo, não ouço nada, para que as coisas saiam do instinto. Nem sequer tenho o hábito de ouvir os meus discos passados, porque acho que nunca vou aprender nada com eles. Estou sempre a olhar para o futuro. O que passou, já passou.
PERFIL
Nascido em Maceio, estado de Alagoas, em Janeiro de 1949, Djavan de Caetano Viana, de seu nome completo, é um dos mais respeitados cantores/compositores da música brasileira com um dos mais invejáveis reportórios.
Especial destaque merecem os álbuns “Seduzir” (1981), “Flor de Lis” (1986), “Oceano” (1989), “Novena” (1995) e “Djavan ao Vivo” (1999). Hoje, se não fosse músico, diz que seria arquitecto.
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