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Correio da Manhã

Cultura
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Naomi Watts: "Sou mais frágil do que Valerie"

No novo filme ‘Jogo Limpo’, já em exibição, Naomi Watts encarna a agente da CIA desmascarada Valerie Plame.
5 de Dezembro de 2010 às 00:30
"Fiquei fascinada pela vida desta mulher e como conseguiu resistir e continuar a sua vida", diz Naomi Watts sobre a sua personagem
'Fiquei fascinada pela vida desta mulher e como conseguiu resistir e continuar a sua vida', diz Naomi Watts sobre a sua personagem FOTO: Eric Gailard/Reuters

Correio da Manhã - Sentiu alguma pressão em interpretar uma personagem real?
Naomi Watts - Existe sempre uma enorme pressão, sobretudo quando se trata de alguém que está vivo e até envolvido no filme. Até porque este é episódio recente e que conhecemos de uma maneira ou outra. Fiquei fascinada pela vida desta mulher e como conseguiu resistir e continuar a sua vida.

- Que tipo de envolvimento teve Valerie Plame no filme?
- A Valerie esteve presente durante todo o processo. É claro que não divulgou nada sobre a informação secreta. Pessoalmente, o que mais me interessava era saber quem ela era como pessoa, como profissional, mas também como mulher e mãe. Como lidava com tudo o que quase perdeu numa arena pública insustentável. E logo ela que tinha uma vida de total privacidade.

- Consegue estabelecer algum paralelismo entre a vida desta mulher Valerie e a sua? É que a Naomi também tem uma vida profissional envolvente que a afasta um pouco da sua vida pessoal...

- Sim, isso é verdade. Mas eu sou uma actriz que me tento libertar da minha própria identidade para interpretar a de outras. Ao passo que a Valerie desempenhava missões secretas e assumia diferentes identidades.

- Como é que a Naomi lida com a aproximação da imprensa à sua vida particular?
- Encaro com algum à vontade, pois não leio notícias pessoais sobre mim. No entanto, sou bem mais frágil do que a Valerie. Para mim, ela é quase invencível.

- Como foi voltar a trabalhar com Sean Penn?
- Foi a terceira vez que trabalhámos juntos [depois de '21 Gramas' e 'O Assassínio de Richard Nixon']. Por isso, existe um tipo de experiência adquirida que nos permite sincronizar de imediato um com o outro e criar uma química. Gosto muito de trabalhar com ele porque é alguém que eleva o nosso trabalho. É brilhante em tudo o que faz.

- Ficou satisfeita quando soube que seria o seu ‘marido'?
- Sim, claro. O Sean é possivelmente o melhor actor de sempre. É alguém completamente empenhado naquilo que faz. Se não tivesse trabalhado antes com ele, algumas cenas pessoais seriam muito difíceis de fazer.

- Tende a seleccionar as hipóteses de trabalho por forma a estar mais perto dos seus filhos?
- Parece que não tenho parado, no ano passado fiz três filmes: um de oito dias, outro de 16 dias e um terceiro que demorou 10 semanas. E foram todos no primeiro semestre do ano. Depois não trabalhei durante oito meses. Isso permite-me equilibrar o tempo de qualidade familiar.

- Calculo que também tenha alguma ajuda do Liev [Schreiber, o companheiro actor]?
- Sim, claro. O Liev é um pai muito participativo. Fazemos o nosso melhor para equilibrar o tempo com os nossos filhos.

- Vai ser a próxima Marilyn, em 'Blonde'. Sente uma grande responsabilidade em interpretar esse papel icónico?
- É claro que sinto uma pressão enorme pois todos achamos que a conhecemos. Trata-se, afinal de contas, de um dos ícones mais relevantes e teve uma vida extraordinária. Tenho imenso medo de entrar nesse universo, mas ao mesmo tempo muito entusiasmada com a ideia.

PERFIL
A actriz britânica de 42 anos, radicada na Austrália desde os 14 anos, ganhou notoriedade em ‘'Mulholland Drive' (2001) de David Lynch, que prolongou com ‘King Kong' (2005) e ‘Brincadeiras Perigosas II' (2007. A mãe de Alexander Pete, de 3, e de Samuel Kai, de 2, fruto da relação com o actor Liev Schreiber, irá viver o horror do tsunami, em ‘The Impossible' (2011) e assumir a personalidade de Marilyn Monroe em ‘Blonde' (2012).

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