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Correio da Manhã

Cultura
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NASCEU O ROCK RURAL

Nasceu o “rock rural”. O novo género musical foi “inventado” por uma banda portuguesa que dá pelo nome de Carne de Porco, e do seu repertório fazem parte músicas com títulos tão sui-generis como “Desmanchei o Porco”, “Ópera Suína”, “Mãe, eu Não Quero a Sopa”, “Melga no Quarto” ou “Pigs on the Storm”.
7 de Fevereiro de 2003 às 00:00
Os Carne de Porco são de Condeixa-a-Nova, começaram a tocar juntos em 1995, e, até certa altura, tentaram ser uma banda “normal”.

Porém, constataram que a normalidade não os levaria a lado nenhum e, a página tantas, decidiram começar a explorar o “non sense” que, como uma espécie de química, teimava em surgir espontaneamente na sala de ensaio. A partir daí, aquilo que poderia ter sido apenas mais uma banda de pop/rock, transformou-se num projecto tão original quanto... “louco”.

A verdade é que os Carne de Porco podem ser comparados a projectos como os Ena Pá 2000 ou Irmãos Catita... com uma vertente mais bucólica, é certo, ou não designassem o estilo de música que praticam como “rock rural”. Afinal, como os próprios explicaram numa entrevista ao CM, “rural, porque é música feita no meio do campo, por pessoas do campo e com temas rurais”.

Falta dizer ainda que os elementos da banda têm nomes tão sugestivos como Rui Chouriço (teclas e baixo), Rui Chispe (Voz/Guitarra), João Morcela (bateria) e João Larvão (guitarra).

Sobre as razões pelas quais escolheram estes nomes, disseram apenas: “a carne de porco, o chispe, o chouriço... são instituições nacionais”.
Desde o início das duas actividades (“suínas”, como os próprios gostam de afirmar), os Carne de Porco gravaram dois álbuns, intitulados “Fenómeno para Anormal” e “Esquece-me o Nome Dessa...”.

Os Carne de Porco preparam-se, entretanto, para dar início às gravações do seu terceiro registo, que serão, tal como as anteriores, feitas em casa e com meios próprios. Isto porque um contrato discográfico com uma editora é coisa que “ainda não lhes bateu à porta”.

“Sabemos que não temos muitas hipóteses de nos afirmarmos na música... afinal, não somos filhos de ninguém conhecido nem temos dinheiro. Somos uns pé-rapados rurais”, explicaram ao CM.

Pé-rapados ou não, há algo que os Carne de Porco têm para “dar e vender”: o sentido de humor. Sobre as suas principais referências e fontes de inspiração afirmam que não têm “papas na língua” e confessam que tudo se deve “ao ar do campo. O cheiro dos animais, das pocilgas, as tascas rançosas e... os discursos da classe política”.

Para já, a banda vai tocando em festivais e bares da zona Centro e, devido à forte cumplicidade que os une, prometem continuar a “dar muitos concertos pelos ‘talhos’ de Portugal... enfim, continuar a desbundar por aí”.
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