Barra Cofina

Correio da Manhã

Cultura
8

Nery mostra a sua fase Op-Art

Vinte e uma obras de Eduardo Nery, que pertencem ao seu período ‘Op-Art’, podem ser apreciadas numa exposição a ser inaugurada hoje, às 20h00, na Galeria Antiks-Design, em Lisboa.
11 de Outubro de 2005 às 00:00
Intitulada ‘Eduardo Nery: Optical Art e Arte Concreta – 1965/1970’, a mostra reúne 20 obras (guaches, têmperas e acrílicos) e uma tapeçaria que, realizadas ao longo de cinco anos, representam uma fase muito relevante da carreira do artista.
“Embora limitados no tempo, estes trabalhos resumem um período importante da minha carreira artística”, explicou ao CM Eduardo Nery.
Ao criar ilusões ópticas pela repetição de formas geométricas e efeitos de luz e cor, o artista produziu obras que apelam ao misticismo e reflectem o rigor do design.
“Através das minhas obras, procuro sempre transmitir a realidade mais profunda, a dualidade entre o mundo consciente e o subconsciente, o real e o imaginário”, referiu Nery, nascido em 1938, na Figueira da Foz.
Cor e geometria
Nesta tentativa de ultrapassar o real comum, Eduardo Nery nunca representa a realidade concreta: “Não faço as coisas com carácter realista, nem como cópia ou imitação. Antes, procuro dar aos meus trabalhos um sentido cósmico a fim de conceder, por um lado, uma visão do mundo transcendente e, num campo social, exprimir uma relação mais próxima com as pessoas. Sempre através de um sentido crítico e poético da sociedade real”.
Esta não aceitação do real comum é, aliás, a ligação entre todas as obras do artista, que já soma mais de 40 anos de carreira na área da pintura, do azulejo, da fotografia e intervenções plásticas na arquitectura.
O espaço, a luz e a cor são fundamentais para Eduardo Nery – autor dos painéis de azulejos da estação do Metropolitano do Campo Grande, em Lisboa, e do Aeroporto Internacional de Macau, entre outras obras –, que confessou não gostar de se repetir nem de se copiar: “Cada obra é um problema novo e pensada de uma maneira diferente”.
Neste momento, Eduardo Nery decidiu pôr de parte a ilusão óptica e tirar o máximo partido da cor.
“O que me interessa agora é jogar tão longe quanto possível com a intensidade da cor e a sua percepção visual”, adiantou o artista.
Patente até 19 de Novembro, a mostra inclui duas visitas guiadas à obra de Eduardo Nery, no Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian (próximo dia 30) e na Antiks-Design (5 de Novembro).
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)