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Correio da Manhã

Cultura
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NEY E PLAP IMPÕEM A ORDEM DO SAMBA

Numa prestação em que 'A Ordem é Samba', sábado à noite, a recatada plateia do Casino de Espinho só acedeu a cair no swing de 'Vagabundo' quando Ney, Pedro Luís e a Parede (PLAP) revisitaram 'Balada do Louco', um hino da mutante Rita Lee.
7 de Junho de 2004 às 00:00
O adorável sátiro começou a empolgar com 'balada do louco'
O adorável sátiro começou a empolgar com 'balada do louco' FOTO: Márcia Lessa
A estreia em Portugal deste esfusiante fruto da parceria Ney Matogrosso/Pedro Luís já ia a meio, numa levada de samba, coco e xote, turbinada pela cozinha percussiva da Parede. Contudo, apesar da ampla 'Inspiração' e da imensa 'Transpiração' sugeridas pelo concerto, o auditório continuava apenas reverente à mítica figura de Ney.
Todavia, ele queria um público antes de mais irreverente, que saltasse das cadeiras e acatasse o apelo dançante do híbrido coco de 'A Ordem é Samba', do xote de 'Noite Severina', da seca & molhada 'Assim Assado' e vibrasse com o alaúde árabe de Pedro Jóia orientalizando 'Seres Tupy'.
Ney chegou a admoestar a 'galera': "Vocês estão muito sérios". Sisudez que se desvaneceu após o adorável sátiro ter soltado em palco a 'Balada do Louco'. Para a empolgação muito contribuiram os fãs de Martinho da Vila, que aceitaram a versão do samba 'Disritmia', no compasso do violão de Ricardo Silveira e do sax soprano de Glauco Cerejo.
O espectáculo acelerou num embalo sambável parodiando 'Napoleão' e celebrando 'Jesus', que Ney e o PLAP querem tirar da cruz. Provando que a memória dos Secos & Molhados está bem viva, a apoteose se acendeu com a entoação em coro de 'Sangue Latino'.
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