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Correio da Manhã

Cultura
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No gelo da Antárctida

O documentário de Luc Jacquet é completamente enternecedor. E até nos esquecemos de que estamos a ver uma película documental, tal a intensidade dramática que o realizador imprime aos seus ‘protagonistas’, coadjuvados pelas vozes humanas de Charles Berling, Romane Bohringer e Jules Sitruk.
3 de Novembro de 2005 às 00:00
 O filme mais parece um poema mas sem lamechices
O filme mais parece um poema mas sem lamechices FOTO: d.r.
Sem lágrimas mas com muita emoção e pinceladas de tons fixos, esta é a viagem de pai(s), mãe(s) e filhote(s) pinguins na luta pela sobrevivência. Uma marcha incessante pela perpetuação da espécie, única na resistência àquele Inverno polar da Antárctida.
Jay Leno, no seu ‘talk show’, já por várias vezes se referira à ‘Marcha do Pinguins’ como tendo ficado rendido ao encanto dos animais de roupa branca e negra. A crítica internacional é unânime no reconhecimento da originalidade e sensibilidade deste filme. As cores dos cenários, naturais, deslumbram qualquer um: brancos intensos, imponentes, salpicados de dorsos negros, em marcha desajeitada mas ordeira pelo branco e branco, outra vez. Pontualmente, o azul. Do mar. nos breves três meses em que os pinguins regressam ao estado líquido, depois da rudeza e agrura do Inverno, sempre frio, muito frio. E o espectador sente com eles as sensações climatéricas, os anseios pela maternidade, o jogo sexual de acasalamento – genial, diga-se – que mais parece uma dança romântica, compassada com uns acordes apropriados e que, implacável, seduz os corações mais frágeis.
O filme mais parece um poema. Mas sem lamechices nem subterfúgios fáceis. Cru e factual, esta ‘marcha’ agarra o espectador, que se deixa levar por aquelas estranhas patas, por aquelas vidas, como se de um argumento complexo e ‘hollywoodesco’ se tratasse, com as melhores estrelas no elenco. São ‘só’ pinguins. E ainda bem...
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