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Correio da Manhã

Cultura
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NO INÍCIO ERA A VOZ

Diz Bjork que durante as gravações do álbum ‘Vespertine’, de 2001, começou a sentir uma vontade quase incontrolável de voltar atrás, de fazer um disco só de vozes, um desejo que, segundo consta, até já vinha da altura dos Kukl, banda de pós-punk por si formada em 1983.
30 de Agosto de 2004 às 00:00
Três anos depois de ‘Vespertine’, Bjork cumpre um sonho antigo
Três anos depois de ‘Vespertine’, Bjork cumpre um sonho antigo FOTO: d.r.
Esse disco, que Bjork achou que nunca teria condições de fazer por achar quase impossível, conhece agora a luz do dia, sendo um dos mais orgânicos e viscerais álbuns alguma vez gravado em estúdio, ou não tivesse a particularidade de não conter um único instrumento musical, nem sequer uma ‘beat box’.
Há canções que chegam a levantar dúvidas, mas todo e qualquer som, asseguramos, é fruto da exploração e do talento vocal de senhores tão desconhecidos quanto ‘iluminados’, como Robert Wyatt, Rahzel, Tagaq, Dokaka ou Gregory (Mike Patton, ex-Faith No More e actual Fantômas, também lhe deu uma mãozinha).
Espontâneo, original, cru e tão natural quanto um dia os homens e as mulheres terem andados nus à face da Terra, o novo disco de Bjork é um trabalho feito de corpo e alma, assinado por quem respira música desde os ossos, como uma doença benigna que lhe corre na medula e lhe infecta saudavelmente o sangue.
Gravado em cinco países e dez estúdios diferentes, ‘Medúlla’ é um trabalho paradoxalmente simples e complexo, porque simples é a voz, mas infinitamente compostas e intricadas são as suas capacidades.
Para escutar, com sentido obrigatório, estão os temas ‘Pleasure Is All Mine’, ‘Where Is The Line’, ‘Oll Birtain’ e ‘Oceania’.
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