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Correio da Manhã

Cultura
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Nobel da Literatura tem poemas sobre Lisboa e Funchal

O poeta e tradutor Vasco Graça Moura sublinhou, esta quinta-feira, que a poesia de Tomas Transtromer, distinguido com o Prémio Nobel da Literatura 2011, "tem uma grande força lírica e preocupação social".
6 de Outubro de 2011 às 13:17
"Ele é muito importante e é o maior poeta sueco vivo", salientou Vasco Graça Moura
'Ele é muito importante e é o maior poeta sueco vivo', salientou Vasco Graça Moura FOTO: EPA

"É um Prémio Nobel muito merecido", considerou Vasco Graça Moura, que  já traduziu vários poemas de Tranströmer, entre eles um sobre Lisboa, 'Alfama',  e outro sobre o Funchal, que se encontra na obra '21 Poetas Suecos' (1981), publicada pela editora Vega.   
 
"No bairro de Alfama os elétricos amarelos cantavam nas calçadas íngremes/Havia lá duas cadeias. Uma era para ladrões/Acenavam através das grades/Gritavam que lhes tirassem o retrato", escreveu Tomas Transtromer.

"´Mas aqui´, disse o condutor e riu à socapa como se cortado ao meio/´aqui estão políticos'. Vi a fachada, a fachada, a fachada e lá no cimo um homem à janela/tinha um óculo e olhava para o mar", relata o laureado com o Nobel da Literatura 2011.

Tomas Tranströmer, 80 anos, é o poeta sueco mais traduzido no mundo e já foi galardoado, entre outros, com o Prémio Literário do Conselho Nórdico  em 1990.

"Ele é muito importante e é o maior poeta sueco vivo", salientou Vasco Graça Moura. 

Sobre a obra de Tranströmer, o escritor português sublinhou "a grande força de utilização das imagens, com uma faceta um pouco surrealista".  

Tomas Tranströmer sofreu um acidente vascular cerebral em 1990 que o deixou parcialmente sem fala, mas continuou a escrever. A primeira obra que editou, em 1954, intitula-se '17 Poemas'.  

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