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Correio da Manhã

Cultura
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Noite de copos no D. Maria

É um dos espectáculos do ano e traz a assinatura de uma encenadora que vem do cinema. Ana Luísa Guimarães pegou na obra-prima do americano Edward Albee e está apresentar, no Teatro Nacional D. Maria II, Lisboa, às 21h00, ‘Quem Tem Medo de Virginia Woolf?’, um espectáculo sobre conjugalidade disfuncional.
27 de Novembro de 2011 às 01:00
Sandra Faleiro, de copo na mão, numa cena de 'Quem Tem Medo de Virginia Woolf?', de Edward Albee. A sua interpretação de 'Honey' é excepcional
Sandra Faleiro, de copo na mão, numa cena de 'Quem Tem Medo de Virginia Woolf?', de Edward Albee. A sua interpretação de 'Honey' é excepcional FOTO: Susana Paiva

Em palco, o público tem hipótese de ver duas estrelas conhecidas: Maria João Luís e Virgílio Castelo são, respectivamente, Martha e George, o casal maduro que recebe -para uma noite de bebedeira, crueldade e humilhação indescritíveis - um casal jovem, aqui interpretado por Sandra Faleiro e Romeu Costa.

Quando o projecto chegou às mãos de Ana Luísa Guimarães - por sugestão de Virgílio Castelo - esta admite que se assustou com a monumentalidade do texto. "Pensei que estava louca", diz. "Levar à cena uma peça destas, sobretudo depois do filme com a Elizabeth Taylor e o Richard Burton! Que ousadia."

Mas chegou ao fim com a sensação de dever cumprido e num processo que diz ter sido de grande cumplicidade entre a equipa, elogia acima de tudo os intérpretes.

"Os actores foram de uma enorme generosidade, na forma como se entregaram ao trabalho, que é violento. Chegaram a terminar ensaios a chorar, de tanta emoção", revela a encenadora.

E se o próprio Virgílio Castelo diz que interpretar a peça se revelou "mais difícil do que imaginava", Maria João Luís acrescenta que o trabalho, apesar de duro, foi facilitado pela direcção justa e acertada de Ana Luísa Guimarães, que "sabia sempre muito bem o que queria".

Num cenário impressionante de F. Ribeiro (uma casa que Frank Lloyd Wright não desdenharia) e com figurinos inspirados nos anos 60, o espectáculo é para ver até 29 de Janeiro.

FILME QUE FEZ HISTÓRIA

A  peça de Edward Albee estreou no teatro em 1962 e três anos depois chegava ao cinema pela mão de Mike Nichols. Ganhou cinco Óscares e para o rodar Elizabeth Taylor engordou 14 quilos.

ADOPTADO E INFELIZ

Edward Albee foi adoptado em bebé, por uma família abastada, mas não foi feliz. Saiu de casa com 20 anos, altura em que escreveu a sua primeira peça, e desempenhou várias profissões na vida, antes de se dedicar exclusivamente à escrita.

MAESTRO DA CENA

Albee, frequentemente associado a Tennessee Williams e Arthur Miller, é considerado um mestre da cena dramática entendida enquanto partitura musical: aos silêncios sucedem-se os insultos, depois das pausas chega a violência.

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