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Correio da Manhã

Cultura
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Novos tempos, Festa nova?

Quem se preocupe com as coisas da Festa de Toiros, interroga-se sobre o que significará para a mesma a mudança governamental ora eleita. Não será a Festa um tema fulcral para qualquer cena política, nem deverá estar demasiado dependente dos respectivos poderes.
23 de Fevereiro de 2005 às 00:00
A Festa tem mais, muito mais, valores do que alguns pretendem reconhecer; e deve ter também, dentro do seu universo, quem seja capaz de operar as mudanças necessárias e quem saiba lutar pela salvaguarda dos seus valores. Abolindo-se comodismos e demagogias, dando a cara à Verdade e à História, a Tauromaquia pode continuar o seu curso cultural tradicional e deve, para tanto, ser devidamente enquadrada por forma a revitalizar as suas estruturas.
As eleições apuraram o Partido Socialista, em maioria absoluta. Que poderá significar para o futuro da Festa de Toiros em Portugal?
PROMOÇÃO E INCENTIVOS
Logo após o 25 de Abril, as praças continuaram a encher-se, com mais caras no ‘Sol’ e algumas falafas na ‘Sombra’... Houve, em certas localidades, crescendo de entusiasmo. Não fora a grave crise das ganadarias, que não foram perdoadas na ‘reforma agrária’ e ‘ocupações’ de ocasião (...), e a Festa de Toiros não teria sofrido alienação. Mas o que houve de mau foi mau demais para demasiada gente boa, que foi maltratada, mesmo sem que o passado o pudesse (?) justificar.
O Sindicato dos Toureiros também foi ocupado e a agitação aconteceu. E de que maneira... Mas se da esquerda surgiram verdadeiros atentados à Festa, de lá também emergiram alguns que dela dizem ter aproveitado para salvar essa Festa das mãos dos extremistas do mesmo lado...
Mudando-se os tempos e vontades, os anos passaram e o PS assumiu importantes posições a favor da Festa, tal como quase todos os partidos com assento parlamentar, nomeadamente quanto ao caso de Barrancos. Curiosamente, andavam próximos o PS, CDS e o PC. Quem destoava era, imagine-se, o PPD! Ao invés das liberdades conscientes de Santana Lopes na defesa da cultura (livre) da Festa – permitiu corridas com picadores – o seu partido não alinhou (isto há vários anos...) consigo, não lhe dando sequência. Infelizmente!
E agora? Espera-se a lógia na defesa da cultura de um Povo. Assumir a promoção (nacional e internacional) da Festa de Toiros e conciliar incentivos para o desenvolvimento da mesma (escolas de toureio, esquemas de seguros, recomendações na gestão mediática, etc.) é algo de fundamental para um novo Governo que se preze.
A riqueza da Festa de Toiros e suas gentes, perpetuados os seus valores (vide foto, bela escultura do inesquecível Delfim Maya) por pintores e poetas, escritores, músicos e fotógrafos merece-o e justifica-o.
Por um Portugal bem português. Novos tempos, Festa nova é o que se deseja numa Tauromaquia de emoções e elevação.
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